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Ambiente em configuração – Wladimir Pomar

Ambiente em configuração

Rosenberg Consultoria – Carta Mensal

WPO | ART | RCO | Ambiente em configuração, abr. 2006.

 

 

COMENTÁRIOS POLÍTICOS

Por Wladimir Pomar

Consultor político, foi membro do diretório nacional e da comissão executiva nacional do PT e coordenador geral da campanha Lula-presidente em 1989.

O conteúdo expressa a opinião pessoal do autor, não necessariamente endossada pela ROSENBERG & ASSOCIADOS

 

Ambiente em configuração

O ambiente político está, certamente, marchando para uma configuração eleitoral mais nítida. O ex-governador Alckmin, apesar das dificuldades para selar definitivamente a aliança com o PFL, das denúncias sobre possíveis irregularidades, cometidas por sua esposa e por funcionários de confiança ligados à Nossa Caixa, das continuadas vacilações em definir sua estratégia e encontrar o eixo de seu discurso, e da estagnação nas preferências eleitorais, continua em campanha.

O PSDB e o PFL estão às voltas com discrepâncias internas, que demonstram bem as fraturas que ainda impedem a elite brasileira de unificar seus projetos e suas forças. Resta pouca dúvida de que, numa disposição digna dos templários da idade média, o ex-governador Alckmin se impôs como candidato do PSDB. Tudo fazia crer, então, que suas posturas mais conservadoras trariam, com facilidade, o PFL para ocupar a candidatura à vice-presidência e consolidar logo a aliança entre os dois partidos que melhor representam a direita brasileira na atualidade. No entanto, não foi o que ocorreu.

Apesar da derrota de Lula ser a prioridade de ambos, como reafirma sempre o senador Bornhausen, e de Alckmin viver reiterando que, se depender dele, a chapa será PSDB-PFL, as divergências entre os diversos grupos e alas que compõem cada um desses partidos continuam atrapalhando o acordo. As disputas entre eles, para os governos de pelo menos cinco unidades federativas (Amazonas, Goiás, Distrito Federal, Rio de Janeiro e Santa Catarina), tornaram-se guerras intestinas. E, em três outras (Maranhão, Sergipe e Bahia), apresentam obstáculos consideráveis para serem superados.

Para complicar ainda mais a situação, o prefeito César Maia, que era o pré-candidato do PFL à presidência, declarou publicamente que é possível que o PFL não indique o vice na chapa tucana. É verdade que essa declaração parece estar cheirando a uma chantagem pefelista, para arrancar o máximo de concessões do PSDB nos acordos em torno das candidaturas a governador. Por outro lado, também é possível que isso esconda uma postura de espera, até junho, para descobrir o verdadeiro potencial da candidatura Alckmin para deslanchar.

Essas manifestações na superfície, porém, apenas mascaram as incertezas geradas pelas promessas sinceras de Alckmin, de que vai priorizar a Área de Livre Comércio das Américas – ALCA, retomar as privatizações, colocar de lado as políticas sociais e de direitos humanos, e reduzir ainda mais o papel do Estado. Algo que pode reduzir suas chances de conquistar as camadas populares que tendem a votar em Lula, e que também é difícil de ser aceito por parcelas do próprio empresariado. Estas parcelas sabem o que lhes custou o mesmo tipo de política, levada a cabo por FHC.

Nessas condições, PSDB e PFL vão terminar por se aliar, mas com fraturas e seqüelas que refletem tanto as divisões em sua base social, quanto as dúvidas em relação à estratégia e ao discurso para carrear votos de setores populares. Afinal, apesar de haverem realizado um bombardeio cerrado, por mais de seis meses, contra o presidente da República e o PT, nenhum deles parece ter sido abatido, e ambos continuam apresentando bons índices de preferência popular.

Não menores são as dificuldades de Garotinho para se firmar como candidato do PMDB. Além da sombra de Itamar haver se levantado sobre ele, as denúncias envolvendo os recursos de sua pré-campanha levaram-no ao gesto insólito da greve de fome. Ele parece acreditar que um ato extremo como esse sensibilizaria corações e mentes. E que, com isso poderia substituir os documentos probatórios que deve apresentar à justiça por sentimentos de solidariedade.

Porém, parece não haver se apercebido de que, independentemente disso, tornava-se cada vez mais difícil convencer ao PMDB que deveria ter um candidato próprio à presidência. A maioria de suas lideranças regionais demonstrava cada vez maior convencimento de que a candidatura própria explodiria suas alianças, e levaria o partido a uma aventura cujo fim não parecia róseo.

A decisão da Executiva Nacional do PMDB, antecipando a convenção que vai decidir se o partido terá ou não candidato, a boa receptividade às investidas do PT, convidando o PMDB a indicar o vice de Lula, e a total ausência de solidariedade política à greve de fome do ex-governador do Rio, inclusive da ala que o estava apoiando, são indícios fortes de que esse partido não deverá ter candidato próprio à presidência. Se vai ou não indicar o vice de Lula, ou vai permitir que cada ala fique livre para apoiar quem quiser, isso ficará para junho.

O PT, por seu turno, acabou de realizar o seu 13º. Encontro Nacional, com cerca de 1200 delegados. Apesar das informações desencontradas na imprensa, esse partido adotou cinco decisões principais: aprovou a tática eleitoral, confirmou Lula como candidato à reeleição, definiu o presidente do partido como coordenador da campanha presidencial, separou as finanças de campanha das finanças do partido, e confirmou seu compromisso público com as investigações e punições dos dirigentes petistas envolvidos em irregularidades e delinqüências.

Embora a maior parte dos órgãos de imprensa, assim como uma parte dos delegados, pressionasse no sentido de dar prioridade a esse processo de investigação e punição, a esmagadora maioria dos presentes, inclusive da esquerda partidária, considerou que isso seria um erro. A seis meses das eleições presidenciais e estaduais, levar o partido a engalfinhar-se em luta interna, enfraqueceria a participação da militância na campanha e colocaria em risco a disputa externa.

Assim, apesar da interpretação de alguns, a decisão de investigar e punir os responsáveis pela crise política parece irreversível, mas depois das eleições. Com isso, o PT pode, ao menos, responder melhor ao fogo cerrado, que continuará sofrendo, pela não punição dos dirigentes envolvidos em irregularidades e delinqüências. E, sem dúvida, terá um instrumento importante para influenciar a composição do perfil de um possível segundo mandato presidencial.

Também foram descartadas, por motivos idênticos, as propostas que levariam o partido a concentrar seu fogo contra a política monetária. Isto seria o mesmo que atirar no próprio governo que pretende reeleger. E foram derrotadas as propostas que excluíam qualquer possibilidade de ampliar o arco de alianças, restringindo-o aos partidos de esquerda, como PCdoB e PSB. Desse modo, o encontro petista aprovou que o centro das atividades e da tática do PT, nos próximos seis meses, consiste em reeleger Lula e derrotar a direita, representada pela candidatura do PSDB e PFL.

A configuração descrita acima parece em processo de cristalização, mesmo sem desconsiderar a participação de outros atores, como PPS, PDT e PV, abordados pelo PSDB e PFL para comporem a santa aliança contra a reeleição de Lula, e como o PSOL, que se apresenta como terceira via, mas tem o mesmo discurso anti-Lula dos tucanos e pefelistas.

Além disso, também vai se configurando a predominância de uma linha de ataque eleitoral contra Lula e o PT, idêntica na forma e no conteúdo à adotada para a instalação das CPIs, desde meados de 2005. É ela que tem predominado na abordagem da crise com a Bolívia. É ela que vai desencavar entrevistas bombásticas, mesmo sem novidades, como a de Sílvio Pereira a O Globo. E que vai buscar pêlo em ovo para demonstrar que Lula sabia de tudo, e que todo o pessoal do PT é igual a Zé Dirceu, Sílvio Pereira e outros dirigentes do mesmo calibre. Como no boxe sem regras, será tudo abaixo da linha da cintura. Resta saber se o PT e Lula vão conseguir não só evitar os golpes, mas também realizar uma linha de contra-ataques de outro nível.


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