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A campanha já está nas ruas – Wladimir Pomar

A campanha já está nas ruas

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WPO | ART | CON | A campanha já está nas ruas; jan. 2001.

 

 

Por mais que as forças políticas afirmem que as eleições de 2002 são assunto para o final de 2001, todas estão empenhadas em definir candidaturas e conquistar posições, como as presidências da Câmara e do Senado. A disputa destas transformou-se em guerra de posições, com o uso dos mais baixos recursos. O governo paralisou as votações, por medo de derrota, e sua base de sustentação sofreu uma fissura difícil de soldar, mesmo que o PFL tenha recuado de sua repentina tendência oposicionista e de aproximação tática ao PT.

O conflito com vistas a 2002 foi desencadeado pela estratégia de Covas, que estimulou o PSDB a atropelar o PFL, tornar-se o maior partido da Câmara, aliar-se ao PMDB e dividir com este a presidência do Congresso. Apesar de FHC, e de sua própria doença, Covas tornou-se o articulador das ações que levariam o PSDB a conquistar posições fora do governo para apresentar uma candidatura imediata à presidência.

Essa estratégia jogou Tasso e Serra, embora neguem, em campanha desabalada por sua indicação no PSDB. E suas ações passaram a ser pautadas por essa disputa, que pode distanciar os dois das diretivas do governo e de FHC, na medida em que tais diretivas se choquem com suas pretensões eleitorais. O surto oposicionista de Inocêncio de Oliveira e as vacilações de Aécio Neves foram apenas uma amostra do que pode ocorrer no futuro com os postulantes à presidência da República.

A briga de foice na aliança governista pode empurrar o PFL para uma candidadura própria, se isto se tornar um problema de sobrevivência política, mesmo que a preferência desse partido seja compor-se com o PSDB. O PMDB, por seu lado, apesar da composição com o PSDB, foi mais longe, lançando o nome do senador Pedro Simon como boi de piranha, um nome respeitável que tanto pode ser usado como moeda de troca, quanto como instrumento de disputa.

Os mesmos movimentos por candidaturas ocorrem no PDT, no PSB e nos agrupamentos que cercam Itamar Franco. Ninguém pensa em outra coisa. A disputa de 2002 pauta todas suas conversas e ações, embora aí muita coisa dependa do PT. Com as vitórias de 2000, o PT pode consolidar-se como força nacional capaz de sustentar uma campanha de amplitude superior às de 1989, 94 e 98.

As lideranças petistas estão otimistas, mesmo levando em conta que a situação econômica pode alterar-se, beneficiando uma candidatura governista, e que a aliança de centro-esquerda no primeiro turno será apenas um sonho. Isto talvez esteja levando o PT e Lula a retardarem ao máximo sua decisão. Entretanto, se Lula quiser ser candidato, é provável que seja.

Mas o senador Suplicy quer ser o candidato do PT e o diretório nacional do partido aceitou sua inscrição porque no PT, quando há mais de um pretendente, realizam-se prévias. Assim, aumentaram as dúvidas sobre uma quarta candidatura de Lula. Suplicy  tem se apresentado como mais amplo, e pode surpreender porque existe de uma certa fadiga nas bases do PT em relação à candidatura Lula, uns o achando muito moderado e outros, ao contrário, pouco amplo.

O ex-governador Cristovam Buarque, defensor de que o PT não mude a política econômica de FHC, comunicou que não disputará a prévia contra Lula, podendo porém disputá-la contra Suplicy. O cenário mais provável é que Lula dispute e vença a prévia, tranqüilizando os que querem uma retaguarda para suas pretensões eleitorais nos estados.

Mas esse pode não ser o cenário definitivo. Certo é que o PT terá um candidato próprio, e que suas chances dependerão, e muito, dele próprio. Também é certo que elas dependerão do quadro político geral; da evolução da economia, nacional e internacional; da unificação ou não da base governista; dos candidatos dessa base, unificada ou dividida; duma possível mobilização social; do desempenho dos governos estaduais e municipais petistas; e, ainda, da formulação, pelo PT, de um programa de governo que conquiste o apoio e a adesão da maior parte do eleitorado.

Como este último ponto, ao contrário da maioria dos demais, depende do candidato, o cenário que comporta outros candidatos à prévia, além de Lula e Suplicy, pode ser uma imposição àqueles que pretendem debater temas que consideram essenciais para o país. Isto é verdadeiro tanto para Cristovam Buarque como para a esquerda do PT.

Qualquer que seja o caso, porém, tanto para o PT, quanto para as outras siglas partidárias, a campanha presidencial já está nas ruas. O resto não passa de diversionismo.


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