Vantagens do etanol de cana-de-açúcar

WPO | SID | Vantagens do etanol de cana-de-açúcar, out. 2005.

 

 

Há mais de 30 anos o Brasil vem desenvolvendo a tecnologia de produção de etanol extraído da cana-de-açúcar. Isso lhe permitiu tornar-se não só o maior produtor mundial de etanol, como obter um alto balanço energético e um custo relativamente baixo por litro. A produção brasileira de etanol, a partir da cana-de-açúcar, alcançou 13 milhões de m3, em 2003*, apresentando um balanço energético superior a 8, e custos de produção hoje inferiores a US$ 0,21 por litro**.

A tecnologia de produção do etanol, a partir da cana-de-açúcar, atinge toda a sua cadeia produtiva. Ela inclui avanços agronômicos significativos para a produção da cana, equipamentos agrícolas apropriados e equipamentos de transformação avançados, assim como importantes inovações tecnológicas nos motores de ciclo Otto, ampliando as possibilidades de utilização de combustíveis de fontes renováveis.

Ao emitir menos gases poluentes e permitir a obtenção de créditos de carbono, negociáveis nas bolsas de valores, o etanol transformou-se num importante combustível alternativo, tanto para o Brasil, quanto para os demais países. No entanto, enquanto os brasileiros utilizam o etanol extraído da cana, outros países extraem o etanol do milho, da beterraba e de outros cereais e turbéculos, com baixos balanços energéticos e custos relativamente mais altos.

Nessas condições, se a humanidade pretende reduzir sua poluição atmosférica através da utilização do álcool etílico, terá que voltar-se para uma produção em larga escala do etanol proveniente da cana-de-açúcar, em virtude de sua alta produtividade e de seus custos, inferiores a qualquer um de seus prováveis competidores.

O Brasil ainda dispõe de muitas áreas agrícolas a serem aproveitadas para a produção de cana, podendo assegurar uma energia limpa e de baixo custo para uso próprio, e para os países que precisarem complementar sua própria produção e intensificar seus planos de proteção ambiental. Além disso, detendo uma tecnologia avançada nesse campo, o Brasil pode dar uma contribuição positiva para que outros países dominem a cadeia produtiva do etanol a partir da cana, elevem o balanço energético de seu etanol, e baixem seus custos de produção.

Numa visão estratégica de longo prazo, interessa a todos os países do mundo que o etanol se transforme num carburante de baixo custo. O que só será possível se combinarem a utilização do etanol extraído de cereais e tubérculos com o etanol extraído da cana. E, mais do que isso, se os países que têm condições de produzirem cana-de-açúcar em larga escala se voltarem decididamente para a transformação de parte substancial dessa cana em etanol, tornando este combustível uma commodity internacional.

Nesse contexto, a configuração de programas bilaterais para a produção de etanol de cana-de-açúcar, a exemplo de um programa sino-brasileiro de etanol, ganha conteúdo estratégico. O Brasil tem condições de trabalhar na perspectiva de estabelecer com a China uma parceria de longo prazo, tanto no sentido de redirecionar e consolidar seu plano de produção e utilização do etanol, quanto no sentido de influenciar o uso do etanol pela maior parte da humanidade.

 

Fontes:

* Banco do Brasil: www.agronegocios-e.com.br

** World Ethanol Markets – The Outlook to 2012 – 2003 Edition

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