Tudo bem, mas…

WPO | SID | Tudo bem, mas…, 2000.

 

 

O governo esforça-se em publicar boas notícias. A renda teria caído, mas os indicadores de qualidade de vida estariam melhores. Ou, como diz uma manchete de O Globo, mais pobres, mas melhores. E os índices de recuperação das atividades econômicas e do emprego seriam animadores, com os sólidos fundamentos da economia apontando para um segundo semestre melhor e para um 2001 venturoso.

Não é de hoje que a publicidade oficial repete notícias desse tipo, em especial quando o governo se encontra em meio a alguma turbulência social e/ou política. Mas, em geral, ou os dados são manipulados, ou alguns indicadores são deixados de lado, para fazer supor uma realidade que só existe na fantasia do poder. A notícia de que todos perderam renda, sendo que os 10% mais ricos da população perderam mais do que os 10% mais pobres, não passa de uma piada que esconde a brutal concentração patrimonial e de renda no 1% mais rico, em contraste com o empobrecimento da classe média e a miserabilidade de mais de 70 milhões de pobres. E, no ritmo que anda a recuperação do emprego, serão necessários pelo menos sete anos para que o desemprego baixe sensivelmente.

Na verdade, as boas notícias governamentais são publicidade enganosa, com vistas a reverter as tendências políticas, que colocam o grupo no poder numa situação de isolamento e de feroz disputa interna. Esse processo, detonado desde o final de 1998, agravou-se no primeiro semestre de 2000, à medida que o povo dava-se conta de sua situação e a democracia formal impunha aos grupos dominantes uma rearticulação estratégica para a disputa eleitoral, não só entre si, mas também contra os setores populares.

 

Um início embaralhado

2000 começou com o palco armado para FHC no Forte Copacabana desabando, vaias e um dilúvio sobre o sudeste. Embora responsável pela falta de prevenção contra as calamidades, isso não impediu o presidente de visitar regiões atingidas, prometer atendimento aos flageladas e ensaiar uma política de relações públicas, que tomava como pressuposto fundamentos econômicos estáveis e novo ciclo de desenvolvimento.

O governo prometeu, então, dar prioridade às questões sociais. Suas previsões eram um 2000 de inflação baixa, juros cadentes, balança comercial superavitária, dívidas pagas em dia e retomada do crescimento econômico. Com isso, recuperaria a popularidade, manteria as camadas populares conformadas e refaria a aliança que o sustentava.

Para o Planalto, estava fora das cogitações que a insatisfação social e a instabilidade política pudessem acentuar-se. Por isso, foram consideradas extemporâneas a crise na Aeronáutica, as brigas entre ministros e o governador do Ceará, as disputas acirradas dos estados em torno das isenções fiscais, o repentino surto nacionalista de grupos empresariais e setores políticos, assim como o preço cobrado pela base parlamentar para votar nas sessões extraordinárias do Congresso.

Mas, os partidos do esquema de poder preparavam-se para outros cenários, realizando todo tipo de reajuste estratégico. Na hipótese milagrosa, a santa aliança em torno do presidente poderia ser refeita de modo a isolar, dividir e derrotar a esquerda nas eleições municipais de 2000. Se o cenário otimista não passasse de miragem no deserto e se configurasse o pior, tal aliança se desfaria, FHC deveria ser abandonado à própria sorte em 2000, e aumentaria a busca frenética dos partidos de centro e direita por uma candidatura para bater não só os presentes aliados, como a esquerda em 2002. Roseana Sarney, Ciro Gomes e Garotinho eram então, estrelas em ascensão num universo que também contava com Covas e Serra e, correndo por fora, Tasso Jereissati. Sem esquecer, é lógico, as pretensões de ACM e Collor.

 

Algo mais do que aviões de carreira

 Apenas depois de abrir o cofre para os aliados, o governo viu aprovados seus projetos nas sessões extraordinárias do Congresso, em fevereiro. Pôde assistir, então, no fórum de Davos, aos investidores internacionais anunciarem que haviam voltado a apostar no país. A partir daí, só se ouviu falar que a economia brasileira se encaixara nos trilhos, voltaria a decolar, renascendo o otimismo no mercado. O novos investimentos proporcionariam a retomada vigorosa da economia, calando de vez a voz negativista dos neobobos. Pesquisas apontaram crescimento na popularidade presidencial, alimentando as esperanças de Brasília de que nada atrapalharia as expectativas favoráveis.

Entretanto, nesse céu iluminado havia algo mais do que aviões de carreira, como diria o Barão de Itararé. As dissenções na base governista desdobraram-se na pré-guerra entre o PSDB e o PFL, levando o ambiente político a parecer mais uma batalha aérea do que uma planagem e recolocando nos cenários a instabilidade e as incertezas. A sonhada tranqüilidade governamental de longa duração evaporou-se nas correntes de ar que circulam no clima social e político brasileiro.

Além das incertezas externas, as internas também abriam vácuos sob o sucatão governamental. Persistiam o desemprego, o baixo crescimento e elevadas taxas de juros. O ressurgimento da questão salarial, na qual se inseriu a inusitada ameaça de greve dos juizes, foi um sinal de que a enfermidade era mais grave do que supunha o poder. Pesquisas não publicadas apontavam o aumento do rumor das ruas, enquanto a violência urbana passava a criminalidade para a primeira página dos jornais e transformou-se em guerra civil urbana não declarada e num problema institucional e político de primeira grandeza.

As reclamações contra os serviços privatizados e contra a desnacionalização da economia realizaram uma junção esquisita na disputa do controle do Banespa e do BNDES, fazendo com que até banqueiro aparecesse como nacionalista. Reinavam a guerra fiscal entre os estados, as discrepâncias quanto à reforma tributária, as manobras frenéticas com vistas às eleições presidenciais de 2002 e o salve-se quem puder da luta pela sobrevivência, atingindo tanto os pobres e desvalidos, quanto setores amplos das classes médias em transformação. Em suma, havia preocupações demais em todos os segmentos sociais para que se supusesse que o governo havia retornado a um vôo de cruzeiro.

 

Disputa na surdina

 Momentaneamente, o governo pareceu convencer-se de que era melhor enfrentar a instabilidade do que tentar demonstrar que estava no melhor dos mundos. Foi isso o que se depreendeu dos movimentos de FHC durante o mês de março, configurando uma estratégia que tinha em mira a aliança do PSDB com o PMDB, como seu núcleo de sustentação, a conquista das presidências das duas casas do Congresso para esses partidos, a eleição de um considerável número de prefeitos tucanos e peemedebistas em 2000, a aprovação da emenda parlamentarista e a eleição da maioria do Congresso em 2002, no sonho de tornar-se primeiro-ministro.

Nessa estratégia, que escanteava o PFL, importavam os resultados, a exemplo da decisão sobre o salário-mínimo. Numa penada só, FHC esvaziou o balão inflado pela comissão parlamentar que discutia o assunto e  pelo populismo de ACM, e jogou para os estados a responsabilidade de elevar o mínimo. FHC queria infletir para a Terceira Via e procurava desvencilhar-se do antigo aliado, deixando para ele a pecha de neoliberal. Só que essa disputa, em campo aberto, despiria ambos os lados. A disputa, então, teria que ocorrer à sombra e na surdina.

A virada na representação partidária da Câmara, na qual o PSDB passou a partido majoritário às custas do PFL e com o apoio escancarado do PMDB, foi um exemplo dos métodos postos em ação, visando tornar o PFL uma ave isolada na gaiola do Planalto. Ou capitulava à ordem imperial, ou deveria pular do galho. Com isso, FHC colocou ACM na defensiva e apareceu como o verdadeiro chefe do governo. Sabia que ACM não teria problemas em sair, assumir sua face populista de tonalidade democrata-cristã e partir para a oposição. Mas, sabia também que não faz parte da natureza do PFL estar fora do poder. Sem o poder, considera-se órfão de pai e mãe e pode definhar e morrer, como a antiga Arena. Nessas condições, FHC pensou colocar uma camisa de força no PFL, numa estratégia primorosa, mas maquiavélica demais para as condições brasileiras.

Primeiro enganou-se com a reação popular quanto ao mínimo, supondo que os governos estaduais arcariam o ônus dos 151 reais. Esse número mágico ficou na conta de FHC para os 20 milhões de trabalhadores formais e os outros tantos milhões de trabalhadores informais que o recebem como salário. Depois, a curto prazo, a situação do PFL se tornou quase de dar pena, mas a médio e longo prazos só por milagre ACM e o próprio PFL não levariam FHC a comer a refeição fria da vingança.

 

Sarna para se coçar

 Assim, o governo parecia ter reconquistado a iniciativa política, ajudado pelo reaquecimento econômico, a estabilização da impopularidade e a tranqüilidade ministerial, e pelo bate-boca ACM/Jader e caso Pitta desviando atenções. Nem mesmo a briga de galo, que levou à defenestração do ministro da Justiça, chegou a fazer marola. Parecia até que o abril outonal passaria a veranico de maio sem grandes abalos.

Mas FHC queria aproveitar os 500 anos para um grande lance publicitário. Mostrar a todos que, apesar de injusto e carregando o fardo do passado, o Brasil se modernizava, implantando a justiça social sob seu governo. Em pouco mais de 5 anos estaria fazendo o que todos os anteriores não conseguiram em 500.

Desconsiderou que havia um movimento Outros 500 anos, no qual estavam se juntando os descendentes do holocausto indígena brasileiro e inúmeros outros segmentos sociais insatisfeitos com as políticas de seu governo. Preferiu manter o programa como determinado e adicionar a ele o poder de polícia, sem sequer meditar sobre possíveis interferências de ACM em sua própria capitania.

O problema é que os índios não se restringiram às denúncias dos massacres do passado. Deram ênfase justamente às discriminações do presente. Os Sem-Terra colocaram em xeque não as mazelas escravocratas do latifúndio, mas a ineficácia da reforma agrária de FHC e, de quebra, mostraram um grau de mobilização e radicalização que só se explica por idêntico nível de descontentamento. Para completar, a polícia militar da Bahia forneceu o tempero para dar o toque que faltava para todos verem que o Brasil não é apenas um país injusto, sob o peso do arcaísmo do passado, mas também uma democracia em que, quando há festa de branco, índio e pobre não devem se meter.

Os planos do presidente afundaram no mar de Porto Seguro. Os noticiários, por mais que se esforçassem para salvar a encenação quinhentista, foram obrigados a colocar no ar imagens e cenas que falavam por si próprias. Dizendo de outro modo, o presidente e o governo foram buscar sarna para se coçar. Assim, o que parecia um mês tranqüilo e ameno, transformou-se numa grande turbulência. Parece ser uma sina desse governo que, apesar de sua ampla base de sustentação parlamentar, apesar da dispersão dos movimentos sociais, apesar da aparente calmaria das conjunturas políticas, a mais simples iniciativa governamental se torne uma verdadeira tempestade.

 

Mudança de cenário

Seguindo a tradicional tendência da bola de neve, os dias amargos do presidente e de seu governo prosseguiram com a greve dos professores da USP, as ameaças de outros movimentos grevistas de diversas categorias profissionais, o pouco pacífico movimento dos caminhoneiros, a expansão do movimento de julgamento da dívida externa e outras mobilizações que apontavam para um recrudescimento da insatisfação popular.

O rotundo fracasso das comemorações dos 500 anos, simbolicamente representado pelo fiasco da nau capitânia, foi apenas o estopim de uma mobilização de diferentes segmentos sociais, cansados das promessas de um futuro risonho que não chega. As manifestações públicas, com forte espontaneidade e movidas, em grande parte, por descontentamento, insatisfação, raiva e desespero puros, empurraram o governo para um profundo desgaste político e uma crise multilateral.

Num primeiro momento, o Planalto tentou enfrentá-las com a repressão. Preferindo o caos disperso à pressão organizada, fez de tudo para desqualificar o caráter social das manifestações, criminalizar os Sem-Terra e encurralar o PT e a esquerda, como suportes de mobilizações ilegais. Endureceu o jogo, negou-se à negociação e avançou não só na exumação da Lei de Segurança Nacional, como na revitalização e maquiagem desse instrumento repressivo.

Mas o endurecimento político, estimulado pelos seus aliados conservadores, levou-o a um impasse. Sem dar-se conta de que a conjuntura política mudara, tentava eliminar do cenário político os únicos interlocutores capazes de representar as insatisfações sociais. Além de criar uma crise institucional, o governo também empurrava para as zonas rurais a guerra civil larvar já disseminada nos morros e periferias urbanas. Os queixumes do ministro Malan, a respeito da insensibilidade social das elites, foram o sinal mais patético de que FHC se viu obrigado a recuar, embora sem reconhecer que eram justamente ele e Malan os principais símbolos daquela insensibilidade.

 

Fogo de barragem

Como aqueles generais em batalha que decidem a retirada sem saber exatamente o que está acontecendo, o governo resolveu fazer fogo de barragem, cobrindo todas as áreas ao mesmo tempo. O próprio FHC, depois de ordenar ao ministro Jungman bancar o durão e jurar não mais conversar com o MST, recebeu uma comissão dos seus líderes. O governador Covas, depois de passar por galo de briga, armar provocações contra o PT  e prometer não fazer concessões, resolveu negociar e mudar de estilo, já que a vestimenta de cavaleiro medieval não lhe caia bem. E, na reunião internacional da social-democracia na Europa, o presidente defendeu a redução da jornada de trabalho, ao mesmo tempo que prometia desencavar a reforma tributária.

Agregue-se a isso, como a uma feijoada, a prisão do banqueiro Cacciola e o enquadramento da diretora de fiscalização do Banco Central, Tereza Grossi, no caso dos bancos Marka e FonteCidam; os escândalos, destituições e reassunções do prefeito Celso Pitta; a cassação e prisão temporária do senador Luís Estevão; a escandalosa participação do Brasil na Feira de Hannover; um Plano de Segurança, a ser financiado, quem diria, pelo lucro das estatais remanescentes; as ameaças da Anatel às empresas de telecomunicações privatizadas, por má prestação de serviços e descumprimento da legislação; o terrorismo do próprio governo em torno de possíveis apagões; e a vinculação de verbas para a Saúde, apesar da equipe econômica. Temos, então, um quadro de desgoverno latente, que inunda o Planalto como uma enchente.

Se as mobilizações sociais de maio e junho não foram tão poderosas, nem contaram com a participação dos segmentos socialmente decisivos, elas desorientaram o Planalto e seus partidos de sustentação. Para quem pensava galopar eternamente no tapete voador da mitologia do Plano Real, seus índices de impopularidade e rejeição tornaram-se inexplicáveis. Nessas condições, mesmo diante de uma certa trégua do movimento social, era quase inevitável que as dissenções internas no poder se agravassem, em especial tendo em conta que as eleições municipais de 2000 ganharam a característica de uma guerra de posições estratégicas para a disputa do governo em 2002.

 

Lodo no joelho

Nenhuma das forças do sistema de poder tem certeza do que as ruas e as urnas estão reservando. Não são poucas as que prevêem, com certa dose de razão, uma reedição do cenário de 1988, que propiciou o crescimento da esquerda no país. Por mais que se empenhem em minimizar os problemas relacionados ao desemprego, salários, questões sociais, violência urbana, falência dos serviços públicos (privatizados ou não), autoritarismo federal e desnacionalização da economia, são estes os temas que teimam em permanecer no centro da agenda política e, nas condições propiciadas por uma campanha eleitoral, tendem a atrair as temáticas locais.

Em tais condições, os entreveros internos do poder estão cada vez mais submetidos a essa agenda incoercível. E também à necessidade, de cada uma das forças que participam de seu domínio, apresentar soluções que lhes permita manter ou recuperar os nacos de poder municipal que as cacifará para a futura disputa do governo central. Essa discrepância, que obriga as forças do sistema a manter-se no governo para ter em mãos os instrumentos de poder e, ao mesmo tempo, leva-as a apresentar-se como oposição ao governo desmoralizado, transforma a luta interna do poder numa briga de foice em quarto escuro.

Por um lado, precisam tutelar o governo, mantendo-o com refém dos interesses de cada uma delas, e não como instrumento de FHC e dos seus. Nesse terreno vale tudo. Não esqueçamos que as investigações sobre irregularidades nos diversos poderes da República surgiram por iniciativa de forças internas ao esquema de poder, e não da oposição. Que esta tenha se aproveitado da oportunidade para redirecionar o tiro, levando-o a abater algumas águias predadoras em vez de um urubu de carniça, não esconde a virulência da disputa dentro do sistema. O ataque direto às negociatas do ex-secretário geral da presidência, Eduardo Jorge, foi apenas o mais recente de uma série para paralisar as manobras de FHC, mesmo que isto deixe exposto o atual núcleo central de poder. Não por acaso, as mesmas forças que armaram na sombra o esquema de denúncias vieram a público garantir ao presidente que a CPI não deve sair.

FHC e o PSDB, por seu turno, procuram desvencilhar-se dessas amarras, até mesmo com apelos patéticos à esquerda, mas tendo como eixo seus próprios interesses. O fato de que o PPS e Ciro Gomes tenham respondido positivamente a tais apelos só demonstra o verdadeiro esquema em que essa corrente se situa e ajuda a delinear melhor os campos gerais em disputa.

Todas as forças dominantes farão o possível para municipalizar as eleições e evitar mobilizações, impedindo qualquer ligação, mesmo remota, dos problemas locais aos nacionais. Enquanto em 1996 o apoio ao Real e ao governo federal eram o mote dos seus candidatos, hoje eles fogem dessa vinculação como o diabo da cruz. A dificuldade é que, pelo centralismo forçado posto em prática por FHC, as questões municipais tornaram-se reféns das questões nacionais, sendo difícil desvinculá-las.

Diante desse quadro, podem configurar-se diferentes cenários, dependendo em grande parte da mobilização social e da ação das forças de esquerda. A aparente trégua das manifestações populares pode indicar que os diversos segmentos sociais decidiram canalizar para as urnas de outubro seus sentimentos e aspirações. Neste caso, a atitude da esquerda torna-se fundamental na conformação de um dos cenários possíveis.

Se a esquerda for derrotada, em especial nos principais centros populacionais do país, isso pode indicar uma importante tendência continuista, no estilo mexicano. FHC pode sair derrotado, mas por correntes internas do próprio sistema de poder.  A conquista das posições em 2000 pelos partidos da aliança conservadora sinalizarão as mudanças prováveis no esquema dominante em 2002.

Entretanto, pode ocorrer uma situação de equilíbrio de forças, com o país caminhando no mesmo pântano que vem atravessando há mais de dez anos. A esquerda avançará alguns milímetros, a direita e/ou o centro perderão algum terreno, mas nenhuma das forças políticas em disputa terá força para impor-se às demais. Como no cenário acima, a situação das grandes massas do povo continuará terrível, como antes.

Se a esquerda tomar como centro de seu ataque o governo FHC e suas políticas e como eixo de suas propostas as aspirações dos milhões de deserdados,  apontando soluções para os principais problemas que os afligem, como emprego, segurança, estabilidade e situação social, poderá estimular as divergências internas do poder, desnudar as negociatas patrocinadas por seu núcleo central e catalizar o descontentamento existente hoje na sociedade, para impor uma derrota em larga escala às forças dominantes, justamente no terreno em que elas se acham imbatíveis: o das eleições. Neste caso estará configurado um cenário talvez mais avançado do que o de 1988-89, com importante mudança na correlação de forças. As grandes massas do povo brasileiro poderão ter nova chance de não terem medo de ser felizes.

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *