Impactos da OMC na indústria chinesa

WPO | SID | Impactos da OMC na indústria chinesa, 2002.

 

 

A entrada da China na OMC em novembro de 2001 começou a mostrar seus impactos. Os cinco principais setores da indústria chinesa foram afetados de diferentes modos.

Mercado de produtos agrícolas

Esperava-se que o mercado de produtos agrícolas  fosse um dos que teriam que enfrentar os maiores desafios das importações que se seguiriam à entrada da China na OMC. Mas os números de 2002 aparecem mais favoráveis do que se estimava.

Os serviços alfandegários informam que as importações de trigo  e arroz caíram em relação ao mesmo período de 2001. Embora as importações de óleo de coco, açúcar e lã tenham aumentado, elas realmente estão lutando para alcançar suas cotas.

O abastecimento suficiente dos suprimentos locais tem se combinado com o nível de preços para proteger o mercado doméstico de qualquer choque trazido pelo influxo de produtos externos. A publicação das cotas de importação para 2002 mostrou um estreitamento dos diferenciais de preços entre os produtos domésticos e importados. As importações foram realmente inibidas onde a produção doméstica era mais barata do que a competição externa.

Entretanto, os avanços tecnológicos substanciais na agricultura doméstica continuam a deixar suas marcas. Trigo de alta qualidade cresce agora em 25% dos campos de plantio de milho, jogando para baixo as importações. Desse modo, o aumento nas importações agrícolas foram apenas modestas.

Indústria pesada

O incremento das importações de ferro e aço acompanham as decisões chinesas de reduzir tanto as barreiras tarifárias quanto as não tarifárias. Graças a uma demanda robusta, este incremento não parece estar causando qualquer dificuldade real aos produtores domésticos, que têm demonstrado um crescimento substancial em sua produtividade.

Entretanto, as reduções tarifárias e a diminuição das barreiras não tarifárias podem resultar em efeitos negativos sobre a reestruturação da indústria doméstica de ferro e aço. Os impactos mais notáveis das reduções tarifárias incidem sobre duas grandes áreas. Uma é a dos produtos de alta tecnologia e alto valor agregado, como os laminados a frio, os laminados a quente, lâminas de aço inoxidável, aço silício magnético laminado e tubos especiais sem costura para a indústria petrolífera. A outra a dos produtos de aço de alto volume, como barras e hastes de aço. No futuro imediato, os fabricantes domésticos não conseguirão competir facilmente com os importados, seja em qualidade, seja em preços. Neste caso, a China age no sentido de educar as indústrias domésticas inexperientes através de medidas protecionistas temporárias para limitar as importações de certos produtos de ferro e aço.

As importações de carros elevaram-se em não menos do que 55% entre janeiro e setembro de 2002. Do total dessas importações, a de carros de passeio subiram 37%, a de veículos leves cross-country de tração nas 4 rodas elevaram-se em 146%, a de micro-ônibus 130% e a de caminhões 108%. Entretanto, a influência de cotas estritas  de importação mitigou qualquer impacto adverso sério sobre a indústria automobilística doméstica, já que apenas parte da cota de US$ 8 bilhões é destinada à importação de veículos completos.

Como as tarifas mais baixas estimulam a demanda, elas também pressionarão os fabricantes locais de veículos a rebaixarem seus preços através da elevação da produtividade. Até agora, a importações de veículos apenas conquistaram 3% do mercado e a indústria doméstica falhará duramente se não aproveitar as condições favoráveis do ambiente do mercado. Mesmo porque os dias de bonança não durarão para sempre.

A entrada da China na OMC trouxe consigo a obrigação de aumentar as cotas de importação em 15% ao ano. O valor total das importações de veículos deve exceder os US$ 9 bilhões em 2003. A maior parte desse valor está destinada à importação de carros de passeio e estes importados crescentemente competitivos devem ter um grande impacto sobre o mercado de carros de passeio grandes e médios no próximos anos.

Indústrias leves

Os setores têxteis e de confecções são aqueles que mais se beneficiaram da entrada da China na OMC. Elas possuem uma margem competitiva e uma forte participação nas faixas intermediária e baixa do mercado.

Com tarifas colocadas à parte ou rebaixadas, os mercados externos estão se abrindo para as exportações chinesas. Na prática, trata-se de uma estrada de duas mãos e a China também tece que reduzir suas tarifas sobre as importações. Mas o pequeno volume de importados  pouco ameaçou o mercado chinês com sua enorme demanda.

Talvez ocorra algum impacto sobre o segmento superior do mercado de roupas prontas, mas esse mercado não foi afetado em seus principais segmentos médio e baixo. O robusto crescimento das exportações, acoplado à ausência de impactos das importações, transformou 2002 num bom ano para o setor têxtil.

Os analistas, porém, estão céticos quanto à capacidade dos têxteis manterem essa performance. O ponto reside em que os países desenvolvidos se recusam, na prática, a executar o Acordo sobre Têxteis e Confecções. Embora ele devessem haver abolido suas cotas de restrição sobre 33% dos produtos, somente uma pequena parte delas foi liberada até agora.

As empresas chinesas engajadas na fabricação de aparelhos eletrodomésticos fizeram bom uso das oportunidades abertas pela entrada da China na OMC e expandiram seus mercados internacionais. Isto é particularmente importante para elas em virtude do presente excesso de oferta no mercado doméstico. As melhorias do mix de produtos, dos avanços técnicos e da elevação da competitividade foram combinadas para permitir fortes  vendas dos produtos chineses nos mercados internacionais.

Assim, a entrada da China na OMC levou os fabricantes de aparelhos eletrodomésticos chineses a libertar-se dos constrangimentos da competição dos preços em seu próprio mercado doméstico e procurar os mercados mais lucrativos, elevando seus padrões a um estágio internacional.

Tecnologia de Informação

Nos anos recentes, um crescente número de companhias internacionais de TI escolheu localizar na China sua base produtiva. Condições de comércio mais estáveis e um ambiente crescentemente favorável para investimentos de capital acompanharam a entrada da China na OMC e aumentaram a confiança dos investidores.

As joint-ventures na China desenvolveram-se, aumentando sua capacidade para produzir muitos produtos de TI. A China está se tornando líder mundial na produção de micro-computadores, telefones fixos e móveis, CD-ROMs, monitores para computadores, impressoras e assemelhados. Os circuitos integrados (IC), o produto essencial (core) da eletrônica e da tecnologia de informação, estão se desenvolvendo com rapidez à medida que os gigantes desse campo instalam unidades de fabricação na China.

Desse modo, a China tornou-se tanto uma importante base produtiva quanto base de distribuição internacional de produtos de TI. Portanto, a entrada da China na OMC trouxe mais benefícios do que desafios para o setor doméstico de TI. Alguns produtos estão sujeitos a tarifas nos mercados internacionais e são fabricados sob licença. Estes incluem monitores, mostradores e alguns produtos mais novos no campo dos componentes digitais e eletrônicos. Inevitavelmente eles serão desafiados pelos importados.

Muitos dos produtos domésticos para os segmentos médios e baixos do mercado enfrentam há muito a competição dos gigantes internacionais. Através de uma combinação de cooperação e competição, os fabricantes domésticos de TI têm se mostrados preparados para enfrentar os desafios e têm aproveitado as oportunidades apresentadas. No mercado de telefones móveis, as marcas domésticas como Pássaro, Kejian, Panda, TCL e Capital têm obtido um rápido crescimento na produção e nas vendas nos anos recentes. Este é um mercado não mais monopolizado pelas marcas estrangeiras.

Serviços financeiros e de varejo

Os investidores internacionais estão mostrando crescente interesse em entrar mo mercado de varejo chinês. Embora o volume total do investimento ingressado no varejo seja o mesmo do período correspondente de 2001, algumas das tendências apresentadas em 2002 merecem maior atenção.

Os investidores estrangeiros estão apostando mais e mais nas joint ventures locais. Este é especialmente o caso de algumas operações altamente lucrativas de supermercados. O ritmo de abertura de novos estabelecimentos é um excelente exemplo a respeito. O gigante francês do varejo, Carrefour, tem 100% de participação em seus supermercados de Shenyang e Dalian. Os varejistas domésticos estão respondendo com alianças locais e outras medidas destinadas e melhorar sua margem competitiva para enfrentar seus novos rivais estrangeiros.

Os bancos estrangeiros, agora, também ganharam a permissão para operar com negócios em moedas estrangeiras em toda a China e em negócios com o Renminbi em algumas cidades como Shanghai, Shenzhen, Tianjin e Dalian. Assim, uma guerra comercial aberta foi instalada entre os bancos domésticos e estrangeiros para atrair clientes.

Os bancos domésticos não estão despreparados. Em particular aqueles listados nas bolsas de ações têm obtido, em suas operações de negócios, maior alcance, reformas sistemáticas e  maior flexibilidade. Os bancos que têm demonstrado seu valor através de exitosos lançamentos de títulos públicos são os que parecem destinados a tornar-se os maiores players na crescente competição com os gigantes financeiros estrangeiros.

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