China: uma nova oportunidade

WPO | SID | China: uma nova oportunidade, 2002.

 

 

A China teve, em 2001, um crescimento econômico de 7,3%, o maior do mundo e bem acima da média internacional. Manteve, assim, o ritmo de desenvolvimento apresentado nos últimos 20 anos. Segundo analistas das mais diferentes tendências, a China deve manter tal ritmo nos próximos 15 a 20 anos. Em tais condições, entre os anos 2015 e 2020 ela alcançará os Estados Unidos em termos de produto interno bruto.

Ao mesmo tempo, a China tem mantido entre 5% e 6% o crescimento da renda de sua população, constituindo paulatina mas firmemente um vasto mercado interno de massas. Entre 1980 e 1999, o mercado externo foi a mola mestra do desenvolvimento chinês, tendo o mercado interno um papel importante, mas secundário. A partir das crises mundiais de 1997 e 1999, entretanto, ocorreu uma inversão e o mercado interno chinês passou a desempenhar o papel mais importante no desenvolvimento de seu país.

Para os empresários brasileiros, a expansão prioritária do mercado interno chinês significa uma rara oportunidade para penetrar naquele mercado, descobrir segmentos e nichos novos onde colocar suas mercadorias e intensificar sua produção. É evidente que esse não é um desafio simples, apesar das imensas possibilidades que apresenta. Conhecer o mercado chinês é conhecer a China, um bocado de sua geografia, de sua história, cultura, costumes e tradições, todos eles tendo uma influência grande nos negócios e nas relações econômicas e comerciais. Tudo isso demanda um longo processo.

Por outro lado, no pé em que chegou o desenvolvimento chinês, e particularmente após seu ingresso na Organização Mundial do Comércio, quem quiser negociar com a China precisa apressar o passo. A tendência é de uma crescente concorrência de empresários dos diversos países do mundo no mercado chinês, e de empresários chineses nos mercados dos outros países, inclusive no Brasil. Assim, quanto mais cedo os empresários brasileiros tomarem a decisão de negociar com a China, mais condições terão de aproveitar as oportunidades existentes.

A participação em feiras e exposições chinesas e, em sentido inverso, o convite para a participação de empresários chineses em feiras e exposições brasileiras, são instrumentos importantes para concretizar a decisão de negociar com a China. Em julho (11 a 16) haverá em Cantão, no sul daquele país, uma feira geral, aberta à participação de expositores estrangeiros. Em novembro (13 a 16) ocorrerá uma feira especializada em assoalhos e acessórios de madeira, também aberta a expositores estrangeiros. Esses são momentos para os empresários brasileiros exporem seus produtos ou, o que também é sumamente importante, visitarem a China, conhecerem seu mercado e realizarem rodadas de negócios com os empresários chineses.

Ainda em novembro, ocorrerão em Porto Alegre e outras capitais e cidades brasileiras Feiras Internacionais de Produtos, com a participação de exibidores brasileiros e estrangeiros, inclusive chineses. Este também será outro momento importante para o conhecimento mútuo, para demonstrar a competitividade dos produtos brasileiros e atrair investidores chineses para o Brasil. Com reservas internacionais superiores a 200 bilhões de dólares e empresas com capacidade para disputar os mercados internacionais, os chineses se tornam investidores crescentes, algo importante para a economia brasileira. Este é o momento. A última palavra está com nossos empresários.

 

Wladimir Pomar
Presidente da WP Consultoria
Consultor para relações com a China

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