[Observações sobre as relações econômicas Brasil-China]

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Relações Brasil-China

Conforme prometi, vão abaixo algumas observações sobre as relações econômicas Brasil-China. São apenas observações sintéticas extraídas de um conhecimento acumulado em 4 anos de esforços concentrados para ampliar aquelas relações e muitos mais anos estudando e acompanhando a evolução da economia brasileira. Espero que ajudem alguma coisa.

I – Exportações chinesas para o Brasil

1. Atualmente as exportações chinesas para o Brasil encontram-se dominadas por grandes grupos atacadistas brasileiros e americanos, que compram diretamente na China ou de representantes em Hong Kong e/ou Miami.

2. Os negociantes que procuram escapar a esse domínio não têm força econômica para comprar à vista, nem apresentam segurança de que pagarão no prazo dado. Com os juros praticados no mercado brasileiro, os financiamentos bancários tornam-se uma aventura quase sempre fatal, tendo em conta a contração do poder aquisitivo da maior parte da população e as oscilações do mercado, mesmo para produtos de baixo preço.

3. Nessas condições, as possibilidades de expansão das exportações chinesas para o Brasil dependem:

a) de um estudo mais apurado das verdadeiras e efetivas demandas do mercado brasileiro;b) da existência de algumas trades chinesas que se especializem nesse mercado, concorram com os atacadistas que hoje monopolizam o setor e possam orientar as empresas chinesas em suas tratativas exportadoras;c) de encontrar parceiros brasileiros confiáveis, através dos quais possam multiplicar seus pontos de vendas por meio de associações de diferentes tipos.

 

II – Outras oportunidades no Brasil

1. As grandes corporações chinesas têm inúmeras oportunidades no Brasil no terreno das telecomunicações, petróleo, gasodutos, minérios, celulose e algumas outras áreas.

No entanto, essas corporações chinesas têm que concorrer com as corporações internacionais e seus associados brasileiros. Nestas condições, sem associados ou consultores brasileiros confiáveis e com trânsito em áreas governamentais e do empresariado, as corporações chinesas levam grande desvantagem na competição.

2. Ao lado disso, o Brasil apresenta nichos de mercado favoráveis para negócios da China no Brasil, possíveis para empresas de médio porte, cujo principal objetivo seja a produção para os mercados europeu e norte-americano:

a) Implantação de fazendas de florestas de uso racional, com espécies de crescimento rápido e bom rendimento. A quantidade de terras para isso também é abundante e o apoio de governos estaduais e locais é certo para tais projetos, principalmente se incluir etapas de processamento da madeira. A demanda do mercado local e mundial também tem apresentado uma expansão segura, mesmo em condições de crise.

b) Implantação de fazendas agrícolas com técnicas avançadas de cultivo, para produtos de demanda efetiva naqueles mercados. Há terras em abundância e o preço é relativamente barato, desde que os proprietários desconheçam que se trata de estrangeiros querendo adquiri-las. Também é possível estabelecer projetos desse tipo com o aval e o apoio de governos estaduais e municipais, desde que incluam transferência de tecnologias agronômicas.

c) Implantação de fazendas de criação de gado (de corte ou leiteiro), com técnicas avançadas (já existentes no Brasil), pelos mesmos motivos da implantação das fazendas agrícolas.

d) Implantação de plantas de montagem de mini-tratores (até 50 KW), com parte das peças produzidas na China e exportadas para o Brasil e parte produzida no Brasil. O mercado brasileiro apresenta uma demanda de 100 mil tratores/ano e sua produção atual é cara e não atinge 15 mil unidades/ano. A produção no Brasil teria a vantagem de receber financiamento para a comercialização das máquinas, o que não acontece com as importações.

e) Implantação de fábricas de processamento de mármores e pedras. O Brasil é um grande exportador de mármores e pedras brutas e importador de mármores e pedras beneficiadas. Os governos locais estão estimulando o processamento da matéria prima no Brasil, não só para reduzir os gastos de importação, mas também para aumentar o valor agregado dos produtos.

f) Implantação de fábricas de processamento de pedras preciosas, pelo mesmo motivo acima.

g) Implantação do corredor bi-oceânico e zona industrial de processamento em Mato Grosso do Sul. Este é um projeto do governo estadual com o objetivo de transformar o porto de Antofagasta-Chile, num porto de saída da produção do Centro-Oeste e do Paraná pelo Pacífico, reduzindo os custos e o tempo de transporte para a costa oeste dos EUA e para a Ásia, e vice-versa. Estrada de rodagem e ferrovia atravessariam o rio Paraguai em Porto Murtinho, cortariam o chaco do Paraguai e uma passagem andina para atingir o Pacífico. Esta é uma oportunidade de ouro para empresas chinesas, superior a de Ciudad do Leste/Foz do Iguaçu.

3. Há outros segmentos conhecidos, mas de menor porte, que podem ser estudados a partir de demandas da parte chinesa (a exemplo de revestimentos decorativos de madeira para paredes, em substituição a cerâmicas, esquadrias de madeira para portas e janelas etc).

4. Nesse processo, papel importante desempenha a orientação e a consultoria de brasileiros confiáveis e sérios. Sem pagar este custo, poderá ser muito maior o custo pelos problemas que devem surgir. Nesse sentido, o trabalho de concretizar convênios e relações de cidades e estados irmãos poderá ser muito útil.

 

Abraços

Wladimir Pomar

 

 

 

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