Problemas e esforços ambientais

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Problemas e esforços ambientais, n. 606, 13 jun. 2008.

 

 

Alguns dos problemas ambientais da China são de muitos séculos atrás, como as enchentes, secas, derrubada de florestas, desertificação de solos e ausência de saneamento. Outros, como a poluição atmosférica por gases de enxofre e carbono, provenientes da queima de carvão, são de dois séculos, pelo menos. E desde meados do século 20, quando intensificou sua industrialização, a China também passou a conviver com a poluição das indústrias metalúrgicas, químicas, de materiais de construção, de eletricidade, farmacêuticas e de mineração.

Todos esses problemas foram agravados pelo desenvolvimento industrial acelerado do país durante os recentes 24 anos. Fenômenos como as chuvas ácidas, eclosão de algas, doenças respiratórias, esterilização de solos e águas, montanhas de resíduos sem reciclagem e outros se tornaram um tormento para as populações de muitas cidades e regiões. O fato de que mais de 70% da matriz energética tinha como fonte o carvão criou uma situação ecológica que parecia insuperável.

Para tentar reverter esse quadro, desde 2003 as autoridades chinesas intensificaram a pressão para que as províncias, municipalidades, distritos, cantões e povoados se tornassem “ecologicamente saudáveis”. Estabeleceram metas, que abrangiam indicadores como cobertura florestal, proteção de espécies, qualidade do ar, qualidade da água, emissão de poluentes, reabilitação de solos degradados, PIB per capita, renda dos camponeses e desenvolvimento da agricultura e das zonas rurais.

Apesar disso, até 2007, nenhuma província, municipalidade e região autônoma havia alcançado aquelas metas. De todas as províncias, apenas seis haviam elaborado uma lista preparatória de medidas para execução. E somente alguns cantões, incluindo Zhanjiangang, um novo porto em Jiangsu e Minhang, um distrito suburbano industrial de Shanghai, haviam atendido a todos os critérios.

Por outro lado, esses esforços levaram as autoridades chinesas a fechar, nesse período, usinas térmicas obsoletas com capacidade de 21 GW (algo em torno de um quinto da potência instalada do Brasil); usinas siderúrgicas altamente poluidoras, com capacidade de 37 milhões de toneladas (a mesma capacidade total instalada do Brasil); mais de 11 mil pequenas minas de carvão, que produziam 46 milhões de toneladas; e fábricas de cimento, produtoras de 87 milhões de toneladas.

A China também ampliou a participação das hidrelétricas, das usinas eólicas e da energia solar em sua matriz da energia elétrica, criou a tecnologia do carvão líquido e gaseificado, livre de enxofre, recuperou 34 milhões de hectares de pastos degradados e reflorestou 31 milhões de hectares.

Ou seja, embora tenha realizado um esforço considerável para superar seus problemas ambientais, tal esforço mostrou que a meta de transformar a China num país “ecologicamente saudável” demanda muito mais.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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