Ainda a dinâmica de aprendizado das massas

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Ainda a dinâmica de aprendizado das massas, n. 656, 03 jun. 2009.

 

 

Para escapar do voluntarismo e do espontaneísmo, em primeiro lugar é necessário que os líderes e militantes dos partidos populares participem ativamente da dinâmica de aprendizado “normal” das massas. Como diziam alguns clássicos da “escola política do trabalho de massas”, nesse processo é preciso “quase fundir-se” com as massas populares, de tal modo que elas reconheçam tais líderes e militantes como “companheiros de luta”.

Embora só a prática leve as massas a comprovar que os aspectos negativos da realidade, decisivos em seu modo de trabalho e de vida, estão relacionados com o predomínio do capitalismo, isso não exclui que líderes e militantes populares realizem um constante trabalho de esclarecimento e organização. E que, para não ficar apenas no negativismo, reiterem sempre que “um outro mundo é possível”, como solução para os problemas existentes.

Mas não vamos pensar que esse trabalho faça com que as massas “ganhem consciência” sobre democracia popular, socialismo ou o que quer que tenha sido apresentado como solução positiva. Quando elas forem à luta, elas irão para negar, liquidar ou extinguir os aspectos negativos da sua realidade. E, para ser realista, mesmo que tenham transformado uma dessas propostas em sua bandeira, elas terão pouca ou nenhuma idéia do seu significado ou conteúdo.

Por outro lado, quando as grandes tensões se apresentarem, as massas tenderão a reconhecer os líderes e militantes que, além de participarem de sua dinâmica “normal”, também se tornaram referência na apresentação de soluções para tais tensões, e estarão mais propensas a segui-los.

Se examinarmos todas as experiências socialistas, vamos ver que a dinâmica “normal” de aprendizado das massas retornou após a realização das revoluções políticas e sociais. Seu nível real de consciência recolocou na ordem do dia a continuidade de um trabalho ativo de “quase fundir-se” com as massas e, portanto, a disputa contra o voluntarismo e o espontaneísmo.

Em sua dinâmica de aprendizado “normal”, as massas têm sido capazes de mudar as políticas estabelecidas por líderes, partidos e governos populares no período revolucionário. Em alguns casos, extremaram suas tendências de igualitarismo por baixo. Em outros, resgataram formas de propriedade e de produção que lhes impuseram um desenvolvimento econômico e social desigual.

Ou seja, tanto impuseram avanços estratégicos, sem base material consistente para sua sustentação, quanto obrigaram a retiradas estratégicas, mesmo colocando em risco as conquistas principais. Portanto, a questão da dinâmica de aprendizado das massas populares, seja a “normal”, seja a das “tensões”, não é secundária, nem restrita a alguns momentos da história.

Ela é persistente. Deve estar presente enquanto o nível educacional e cultural das massas permanecer como componente da realidade de desigualdades econômicas, sociais e políticas. Quem não entender isso vai continuar tentando fazer o “assalto aos céus” sozinho.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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