Vitória no primeiro turno?

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Vitória no primeiro turno?, n. 314, 21 set. 2002.

 

 

A imprensa tem vinculado com insistência a idéia de que Lula e o PT acham que podem vencer no primeiro turno. Independentemente das motivações subjacentes que setores da imprensa possam ter a respeito, em comício em Aracaju, Lula admitiu lutar por vitória no primeiro turno. Existem realmente condições para a vitória do candidato popular, “o mais rapidamente possível”, como se expressou?

Tais condições parecem existir. Em primeiro lugar, Lula assume cada vez mais seu espaço como o verdadeiro candidato da oposição e das mudanças. Depois, apesar dos esforços para voltar suas baterias contra a candidatura petista, o candidato do governo enfrenta imensas dificuldades para encontrar brechas ou flancos por onde atacar. Afora isso, Ciro continua necessitando concentrar seu fogo de barragem contra Serra. E Garotinho só pode ter algum sucesso se continuar distribuindo suas gracinhas e chavões tanto contra Lula, quanto contra Serra. Se bater apenas em Lula, a natureza de sua candidatura poderá ficar evidente demais.

No entanto, falando francamente, se tais condições são necessárias e favoráveis para a vitória de Lula no primeiro turno, elas ainda não parecem suficientes. Embora a candidatura petista, como têm mostrado os comícios e passeatas, venha se esforçando cada vez mais para transformar sua campanha num movimento massivo, do povo ondulando as ruas com suas bandeiras coloridas, ela não atingiu ainda aquela massa crítica irreversível. Talvez, para chegar a este ponto, seja indispensável um esforço extra nesta reta final da campanha.

Talvez um apelo direto e sincero do candidato à sua militância e ao eleitorado de todo o país e, principalmente, das regiões mais estratégicas do ponto de vista eleitoral; talvez o esforço do programa televisivo, refletindo com mais força a beleza, a emoção e a vontade do povo nas manifestações de rua e nos comícios; talvez o desprendimento individual de cada militante e de cada grupo de militantes e simpatizantes da candidatura popular, demonstrando sua disposição de vitória para o eleitorado; talvez a disposição ainda maior dos candidatos majoritários e proporcionais em colar-se à candidatura Lula; talvez a compreensão unificada e concentrada de todos os que apóiam a candidatura Lula de que agora não é o momento de perder tempo diante de possíveis deslizes discursivos; talvez, finalmente, tudo isso possa criar uma corrente mobilizadora irrefreável e levar a vitória no primeiro turno.

Em outras palavras, para vencer no primeiro turno é preciso criar uma onda popular contagiante. Sem ela, talvez as imensas condições favoráveis não sejam plenamente aproveitadas.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político

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