Visitando a Ásia (2)

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Visitando a Ásia (2), n. 275, 15 dez. 2001.

 

 

China: enfrentando a crise

A desaceleração da economia norte-americana, desde o início de 2001, e a forte recessão em que o mundo ingressou após os atentados terroristas de 11 de setembro, bateram pesado na economia chinesa. As exportações devem fechar o ano com um crescimento de “apenas” 7% e o PIB não deve ter um incremento superior a 7,5%.

Embora esses números sejam mais altos do que os de qualquer outro país, os chineses estão preocupados porque eles têm reflexos negativos em seu ritmo geral de desenvolvimento e em suas taxas de desemprego. Dois a três por cento menos no crescimento das exportações representa um por cento a menos no incremento do PIB, dois milhões a menos de empregos, elevando para 4% a taxa de desemprego e pressionando os gastos com seguro desemprego.

Embora as reservas internacionais da China tenham alcançado 200 bilhões de dólares em novembro deste ano e o câmbio e os preços se mantenham estáveis, as perspectivas internacionais desfavoráveis levaram o governo chinês a aprofundar as medidas que já vinham sendo postas em prática desde 1998, no rastro das crises financeiras de 1997 a 1999, e que têm como foco principal o reforçamento do mercado doméstico.

Elevar a renda da população e estimular o consumo doméstico, manter políticas fiscais ativas, aprofundar as reformas, em especial a fiscal e a financeira, manter os investimentos estatais, encorajar os investimentos não-estatais e continuar competindo no mercado internacional são as principais políticas implementadas pela China para manter seu ritmo de crescimento “moderadamente rápido”, entre 7% e 8%, nos próximos anos.

Em outubro mesmo as pensões dos aposentados e do seguro desemprego, assim como os salários dos funcionários públicos, foram aumentados em 80 yuans mês, enquanto era instituído o 13º salário. Além disso, no intuito de elevar mais rapidamente as faixas de renda mais baixas, o governo esta’ reduzindo ou isentando de imposto os rendimentos anuais entre 50 mil e 100 mil yuans (6 a 12 mil dólares), reduzindo as taxas e impostos sobre os pequenos produtores agrícolas, estendendo aos trabalhadores rurais os benefícios dos trabalhadores urbanos, universalizando o sistema de seguro desemprego e ampliando o sistema de renda mínima para os 30 milhões de chineses que ainda vivem abaixo da linha da pobreza.

A ampliação do consumo tem por base, pois, a elevação da renda da população, cujo poder aquisitivo cresceu cerca de 30% com esse conjunto de medidas. Mas ele vem sendo estimulado ainda pela ampliação dos feriados nacionais para uma semana inteira, pela multiplicação de eventos artísticos, culturais e de negócios como atrativo para o aumento do turismo interno, pelo aumento das ofertas no âmbito da educação e de novas moradias e pelos investimentos em infra-estrutura.

Através da manutenção da estabilidade das taxas de juros, do aumento dos créditos para as pequenas e médias empresas, pelo controle e direcionamento dos créditos de consumo fundamentalmente para a aquisição de moradias e investimentos em educação  e do lançamento de títulos do Tesouro, os investimentos estatais concentram-se em obras estratégicas de grande vulto, como a hidrelétrica das Três Gargantas, o desvio de 38-40 bilhões de metros cúbicos anuais de águas do rio Iangtsé para as terras secas do norte, o meio ambiente, a preparação de Beijing para os Jogos Olímpicos de 2008 e o desenvolvimento cientifico e tecnológico. Somente na importação de equipamentos e produtos de alta tecnologia a China deve despender 1,4 trilhão de dólares entre 2001 e 2005, enquanto 84 bilhões de dólares serão destinados ao meio ambiente.

A China, dessa forma, tendo seu mercado interno como principal alavanca, depois de haver, entre 1980 e 1995, quadruplicado seu produto interno bruto e mais do que dobrado a renda da população, pretende voltar a duplicar o PIB entre 2001 e 2010 com a elevação ainda mais consistente do poder aquisitivo de seu povo.

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