Terrorismo e esperança

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Terrorismo e esperança, n. 316, 05 out. 2002.

 

 

Ao escrever estes comentários, há cinco dias das eleições, o Brasil confrontava-se com o terrorismo dos desesperados, no mercado financeiro, em ações do crime organizado e em reportagens de alguns órgãos da imprensa, tudo voltado para levar o medo à população.

O mega-especulador Soros apontou que o FMI e os Estados Unidos falham deliberadamente em não garantir uma transição de governo mais tranqüila no Brasil. Segundo ele, o atual surto especulativo poderia ser evitado, mas “as autoridades (monetárias e norte-americanas) estão dormindo na central de controle”. Forma sutil de dizer que aquelas “autoridades” estão, na verdade, muito ativas em desestabilizar nosso país.

A boataria que fechou o comércio do Rio no dia 30 de setembro, combinando telefonemas orientados com a atividade direta de “mensageiros”, colocou em evidência a grande escala da operação. E é essa escala que deixou o rastro não de uma reação espontânea de traficantes presos e descontentes, mas de um planejamento e uma ação articulados, que demandaram tempo para sua efetivação.

E há uma parte da imprensa que se esforça para desconstruir o PT, já que falharam todas as tentativas de desconstruir Lula. Descobrindo pêlo em casca de ovo, essa imprensa transforma qualquer fio de cabelo em floresta de supostas irregularidades e monta casos cuja veracidade não suporta qualquer crítica.

Temos, então, na reta final da campanha eleitoral, uma vasta operação terrorista para evitar a vitória de Lula no primeiro turno e levar o candidato do governo ao segundo turno. Tudo na vã esperança de que mais 20 dias garantam a continuidade da política que afundou o Brasil num dos piores momentos de sua história.

Mas, ao lerem estes comentários, os leitores do Correio da Cidadania e todos os brasileiros já terão votado e os resultados das eleições de 2002 já serão conhecidos. A minha aposta é que também estarão comemorando a vitória de Lula no primeiro turno.

Essa certeza baseia-se em alguns indícios simples. Não será qualquer ofensiva terrorista que irá modificar os sentimentos de oposição e mudança dos brasileiros. Depois, as elites estão desunidas e parte considerável delas não está disposta a bancar o tipo de operação que deu a vitória a Collor, em 1989. Além disso, quanto mais terrorismo e mais instabilidade, mais evidenciado fica o fracasso do governo FHC, e mais forte se torna a garra da militância que apóia Lula na conquista dos indecisos.

Assim, ao sair esta edição do Correio, ela carrega a firme esperança de que estaremos comemorando um momento histórico da vida e da luta do povo brasileiro.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político

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