Sério?

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Sério?, n. 239, s/d.

 

 

FHC anunciou queda nos preços da gasolina, voltou a prometer luta decidida contra a corrupção, garantiu que não haverá racionamento de energia e água, chamou o PSDB para conversa, avisando que não quer campanha presidencial precipitada pela disputa em seu próprio partido, e disse que manteria posição firme, em Washington, diante da pretensão americana de adiantar a implantação da ALCA.

Ao mesmo tempo, especialistas do governo admitem que não podem garantir o repasse da redução do preço da gasolina nas refinarias para os consumidores. A base governista, por seu turno, desdobrou-se para impedir a CPI da Corrupção, com FHC empenhado-se pessoalmente na compra de adesões. O racionamento já vem sendo praticado em silêncio, através dos apagões e dos planos de corte dos fornecedores. Os líderes e candidatos potenciais do PSDB lançaram a carta de Belém, anunciando que só desencadearão a campanha eleitoral em 2002, mas nenhum deles rasgou o verdadeiro calendário de campanha em curso. E a conversa “olho-no-olho” entre Bush e FHC mais pareceu encenação para enganar incautos.

Assim, por mais que se tente, é difícil levar a sério esse governo e, principalmente, seu chefe, embora seja aquele que mais a sério deveria ser levado pela bomba relógio que montou para destruir nosso país e suas camadas populares. O anúncio de FHC sobre o novo salário mínimo de 180 reais, secundado pelas reportagens da rede Globo e coligadas mostrando como os pobres chegarão ao céu com essa nova fortuna, são um escárnio praticado por desesperados que pretendem manter-se no poder a qualquer custo, mesmo após o fim do segundo mandato.

Esse acúmulo de embustes, porém, agrava a crise política em que o país está enredado e torna o governo ainda mais fraco e vulnerável, embora ainda capaz de causar estragos consideráveis ao país e a seu povo. Por isso, talvez tenha chegado a hora da oposição de esquerda não só mobilizar as camadas populares e intermediárias para lutar contra a corrupção e as outras conseqüências das políticas de FHC, como apresentar um programa emergencial de salvação.

O país está sendo levado para uma crise de proporções maiores do que a Argentina e a esquerda, para não ser apanhada de surpresa, talvez devesse propor, para começar, um plano de choque de contingenciamento dos juros externos e remessas de lucros e de redirecionamento desses recursos para investimentos em projetos produtivos de escala, que atacassem fortemente o desemprego e fortalecessem o mercado interno. Mas admitir que, para implantá-lo, seja mantido Malan ou chamado Gustavo Franco ou outro dos que só sabem aplicar a política que nos leva a entrar no inferno, não seria sério. Seria apenas um sinal de que a esquerda não sabe como sair da crise e escapar da porta do inferno.

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