Que…

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Que…; 16 set. 1998.

 

 

O governo parece um alcoólatra. Vai do pânico à euforia e desta ao pânico. No pânico, até vislumbra que não deve depender do capital externo, como o bebado, em sua lucidez fugaz, abomina a bebida.

Mas, ao ouvir promessas das potências mundiais, sua euforia volta com a mesma sede do bebum, sorvendo o que lhe vendem, sem pensar no retorno da crise, ainda mais grave. Da mesma forma que um se gaba de não beber whisky, o outro se ufana de não recorrer ao FMI. Um se encharca de cachaça; o outro, de dinheiro especulativo.

O governo eleva os juros, valoriza o câmbio e privatiza as estatais para atrair dólares. Com os dólares, paga as importações, que baixam a inflação, e constrói reservas, que dão segurança aos especuladores. Para conservar as reservas, emite mais títulos, mantém altos os juros e valorizado o câmbio.

Esse círculo deprime a produção, aumenta o desemprego, alastra a recessão, faz cair a taxa de lucro das empresas. Que deprime a produção, que… Cria-se outro círculo, que alimenta o movimento financeiro, os juros altos, que … De círculo em círculo, explodem o endividamento e as contas externas. Que para serem pagas, precisam mais dólares, que…

Existe no mundo um excesso de capital acumulado, em contraste com um estreitamento da demanda social efetiva. Para valorizar-se, o capital é jogado na especulação financeira, criando-se um capital fictício, que forja crises em série, queimando massas de forças produtivas e levando os países à recessão e à depressão. Que…

FHC diz que o controle de tais capitais depende de decisões políticas das grandes potências. Na verdade, seria preciso centralizar os capitais excedentes e direcioná-los para o desenvolvimento econômico e social, para as atividades produtivas, a geração de empregos, a elevação do poder aquisitivo, a universalização da educação, da cultura, das ciências, das tecnologias e da saúde. Quem pode centralizar tais capitais? O Estado. Qual o problema? Tais capitais terão que admitir taxas de lucros mais baixas.

Aí é que está o busílis. Que Estado capitalista fará isso? Talvez nenhum. O capital financeiro, então, continuará ditando as regras e as crises. Assim, paliativos, que dão euforia às bolsas, não livrarão o Brasil. Aqui, o Estado teria que romper tais círculos e transformar os capitais excedentes em desenvolvimento econômico e social. Quem fará isso? FHC?

Se ele vencer a eleição, continuaremos no remoinho financeiro. Como agravante, assistiremos à quebra do velho pacto que dividia o mercado entre os capitais privados externo e nacional e o Estado, com a destruição do capital nacional e a privatização do capital público. As corporações transnacionais alcançarão a monopolização há muito perseguida.

Para garantir a nova ordem, as reformas políticas terão que fortalecer o Estado como guarda pretoriana, tendo o imperador Fernando II como seu comandante. Transitaremos do autoritarismo para o bonapartismo, que…

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