Quadro definido

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Quadro definido; 01 jul. 1998.

 

 

Com as decisões das convenções do PMDB e do PTB o quadro da disputa eleitoral está definido. O PMDB ficou sem candidato oficial e, por falta de quorum, seus filiados estão livres para apoiar quem bem entenderem. O PTB, quase dividido ao meio, vai participar da coligação pela reeleição de FHC.

A máquina publicitária do governo (gastando uma fábula no horário nobre sem que ninguém da oposição chie como deveria) procura passar a impressão de que FHC saiu vitorioso nesses episódios. Teria impedido o PMDB de ter candidato próprio e o PTB de apoiar Ciro Gomes, além de haver neutralizado Itamar em Minas e garantido mais de um palanque em São Paulo e no Rio. Garantindo a vitória nos três principais colégios eleitorais, ressuscitaria o sonho da eleição já no primeiro turno.

Pode-se, porém, fazer outra leitura. Apesar do esforço despendido, FHC não teria conseguido manter o apoio do PMDB e quase teria perdido o PTB. O problema posto não consistiria, então, em transformar uma situação anterior de dispersão dos possíveis aliados numa aglutinação deles em torno de sua reeleição. Ao contrário. Consistiria em evitar que o cenário de aglutinação das forças de direita, de centro e centro-esquerda, que o levou à vitória em 1994 e lhe deu sustentação parlamentar, se transformasse num cenário de dispersão e desagregação.

É justamente a evolução daquele cenário aglutinado para este cenário de dispersão que FHC não está conseguindo conter, apesar de uma esquerda quase apática, sem ofensividade, incapaz de aproveitar a reversão de expectativas da população e do eleitorado ante o governo, suas promessas e suas políticas. O problema de FHC, até agora, tem sido deter as forças centrifugas que atuam em seu próprio bloco de poder e o sangram.

É possível que consiga algum sucesso com a distribuição de verbas, as novas promessas e com a publicidade do a-ser-feito-sem-ter-sido, principalmente se a esquerda, em especial Lula, continuarem sem estratégia e sem tocar nos pontos nevrálgicos que realmente angustiam o povo brasileiro. Mas este seria o cenário ideal para FHC e parece que as tendências reais rumam noutro sentido. Então…

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