PSDB: pessimismo é indisfarçável

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | PSDB: pessimismo é indisfarçável, n. 502, 03 jun. 2006.

 

 

Com problemas regionais e divergências entre membros das cúpulas dos dois partidos, PSDB e PFL formalizaram nesta quarta-feira a chapa Geraldo Alckmin – José Jorge à presidência da República. A aliança nacional foi selada em meio a apelos de ética no poder e união de forças para dar a “grande virada” contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Num ato político marcado por duras críticas ao PT e ao presidente, o PFL apresentou a Alckmin uma agenda de prioridades de governo de interesse do partido. Compõem a lista a consolidação da independência do Banco Central, a criação do Ministério da Segurança Pública, reforma do Estado brasileiro e uma política externa de afastamento ideológico e estratégico dos governos sul-americanos de Hugo Chávez (Venezuela), Fidel Castro (Cuba) e Evo Morales (Bolívia).

“Nós estamos aqui discutindo a virada histórica de um país que perdeu seu rumo, seu momento, e que está perdendo sua própria identidade… Não queremos Chávez, Morales, ‘Fidéis’, não queremos esses carismáticos que estão aí”, afirmou o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE).

Contra o que chamaram de “maior equívoco” da história republicana, a eleição de Lula, os tucanos e pefelistas entoaram frases de efeito para se referir a “o governo triste do PT”, como descreveu Alckmin. Palavras como honra, moral, ética, decência, verdade e honestidade foram largamente repetidas nos discursos.

“Não haverá governos para companheiros, não haverá 12 ministérios para os derrotados (nas eleições), não haverá governo da turminha”, prometeu o ex-governador de São Paulo.

Ausências

Apesar dos diversos apelos à união dos dois partidos em torno da candidatura Alckmin, a aliança nacional ainda esbarra em problemas regionais que comprometem o clima da campanha. As duas legendas não se entendem em pelo menos sete estados. Na maioria deles, são adversários eleitorais inconciliáveis. “Hoje estamos aqui unidos, e a união faz a força”, garantiu o presidenciável durante seu discurso.

As lideranças pefelistas compareceram em peso à cerimônia, com exceção do prefeito do Rio, César Maia, atualmente em pé de guerra com Tasso Jereissati.

A cúpula tucana, porém, estava desfalcada. O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, o ex-prefeito de São Paulo e candidato ao governo do estado, José Serra, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não foram à festa de Alckmin.

Em desvantagem nas pesquisas de intenção de voto, Alckmin tenta conquistar votos sob avaliações pessimistas, feitas em caráter reservado por seus próprios colegas de legenda, de que sua campanha “não decola”.

O tucano deve inaugurar seu comitê eleitoral no próximo dia 12, em Brasília, após a convenção do partido marcada para o dia anterior. O partido quer montar uma megaestrutura eleitoral para reunir, em um só espaço, as atividades de campanha, até agora muito dispersas e sem um comando central.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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