Problemas do crescimento

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Problemas do crescimento, n. 413, 04 set. 2004.

 

 

Beijing (Pequim) está ensolarada e seca neste final de verão, embora as ruas, praças e avenidas se encontrem crescentemente arborizadas. Os armazéns, shoppings e supermercados estão sempre movimentados e a vida parece correr normalmente. No entanto, a “crise” chinesa está presente na redução da iluminação noturna, no desligamento dos aparelhos de ar-condicionado e, principalmente, nos apagões.

Apesar da semelhança, a crise energética chinesa nada tem a ver com o mesmo tipo de crise sofrida pelo Brasil em 2001. O desequilíbrio energético chinês tem sua origem na defasagem entre o ritmo de crescimento global da economia e o ritmo de crescimento da infra-estrutura energética. Para evitar esse desequilíbrio, o PIB chinês deveria ter crescido a uma média de 6% a 7% ao ano, entre 1999 e 2003. Cresceu, porém, a taxas de 8% a 10%.

Talvez as autoridades chinesas não tenham previsto, como deveriam, o impacto que um crescimento médio anual da renda entre 5% e 6% causaria na demanda popular. A expansão dessa demanda empurrou o PIB para o alto e transformou o déficit energético em crise. Mas, qualquer que seja o motivo real, a China se verá obrigada a deslocar investimentos de setores secundários, como a construção civil de escritórios, para setores hoje prioritários, como geração e transmissão energia. E boa parte dos recursos, que seriam investidos na ampliação da produção, terá que ser exportada.

Trata-se, pois, de um problema ou “crise” de crescimento que, por uma dessas distorções típicas das leis de ferro da economia, pode ajudar a retomada sustentada do crescimento brasileiro. Capitais excedentes chineses podem ser investidos na infra-estrutura brasileira de transportes e energia, incapaz atualmente de sustentar um crescimento razoavelmente elevado. Em sentido contrário, o conhecimento brasileiro na geração e transmissão de eletricidade pode ajudar a China a sair do problema em que se meteu.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *