Preparando novo golpe

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Preparando novo golpe, n. 187, 29 mar. 2000.

 

 

Bem visto, o reinado de FHC tem uma marca golpista indelével. Ele foi eleito em 1994, aplicando um dos mais bem elaborados golpes políticos da história brasileira, o golpe do Real, um mito sustentado por mais de quatro anos como um plano econômico capaz não só de manter a estabilidade econômica, como de propiciar crescimento econômico e redistribuição de renda.

Durante seu primeiro mandato, com a cobertura do Real e o apelo à modernidade, ele aplicou golpe sobre golpe com suas reformas, suas medidas provisórias de duração eterna e seu direito à reeleição, que o tornaram um ditador de fato, sob a fachada de uma democracia de encenação. O país foi sendo vendido, sua economia desestruturada, os camponeses transformados em sem terra, os trabalhadores em sem emprego e sem trabalho, grande parte da classe média tornada sem renda e sem propriedade, todos engolfados na categoria dos excluídos, mas ainda acreditando na eficácia do Real.

Quando essa eficácia começou a desabar, no final da campanha de 1998, FHC conseguiu o prodígio de adiar a eclosão da crise financeira para janeiro de 1999, com o apoio das potências capitalistas, do FMI e outras instituições financeiras internacionais. Um golpe de mestre que lhe permitiu ser reeleito no primeiro turno e só deixar que o povo visse o logro em que vivia três meses depois. De lá para cá, ele tem amargado uma dura queda de popularidade e uma crescente instabilidade política, mas isso não o tem impedido de continuar aplicando golpes contra a soberania do país, os aposentados, os trabalhadores, o povo em geral. E, como nunca, ele tem se esmerado em golpes e rasteiras contra seus próprios aliados, com vistas ao continuísmo de sua estirpe tucana no poder.

Numa estratégia de médio e longo prazo, retirou do PFL a maioria na Câmara, acertou com o PMDB fisiológico um acordo secreto, tem sistematicamente puxado o tapete de ACM e se prepara para conquistar para o PSDB a presidência da Câmara e para o PMDB a presidência do Senado. Trabalha, ao mesmo tempo, para injetar dinheiro público nos municípios onde esses dois partidos têm chances de conquistar as prefeituras este ano, com vistas a consolidar uma correlação de forças favorável ao governo. Ao PFL, sobrará ajoelhar-se e manter-se nas frestas do poder, o que faz parte da sua natureza, ou pular fora e apelar para o populismo democrata-cristão, terno que parece talhado para ACM, mas não para Bornhausen, Marco Maciel e outros condestáveis do partido.

Com essa estratégia, FHC espera ter preparadas as condições para mais um golpe: a continuidade dele mesmo no poder, através de uma emenda parlamentarista. É verdade que ele ainda precisa conquistar a maioria do Congresso nas eleições de 2002, manter o povão inativo em seu descontentamento e torcer para que nenhuma nova crise financeira abale os fundamentos da política de mister Malan. Mas, afinal, que graça teria o golpe sem esses perigos latentes?

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