Prá frente, rumo firme!

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Prá frente, rumo firme!, n. 160, 18 set. 1999.

 

 

– Vai dar tudo certo agora. Vai para a frente. As divergências internas foram contidas. O Ministério tem agora uma linguagem homogênea. E eu nunca vi o presidente tão motivado a vencer desafios.

Frases como essa, do senador José Roberto Arruda, líder do governo no Senado, podem ser encontradas, com variações, ao longo de diferentes momentos das sucessivas crises do reinado de FHC. Sem esquecer que Prá frente! e Avança Brasil! relembram um período sombrio da história nacional.

As divergências internas foram mesmo contidas? Todos aceitam que quem manda é o ministro Malan, o “nosso homem em Brasília” do FMI? As imagens da reunião ministerial no Palácio do Planalto, feitas para passar credibilidade, parecem confirmar a ordem. Mas nem bem terminou e os aliados governistas já avisavam que o ministro e o presidente têm até o final do ano para apresentar resultados na política de crescimento. Afinal, temos eleições e ninguém pretende defender o indefensável.

Assim, nem mesmo parecem concordar. Se o presidente diz que a tarefa é desenvolvimento com estabilidade, e é encostado contra a parede para apresentar crescimento em 90 dias, a linguagem homogênea não passa de papo furado. E a briga de branco em sua base parlamentar pela relatoria da Comissão de Orçamento, que vai decidir sobre as verbas do Plano Plurianual, só confirma que as coisas podem não dar certo.

Além disso, as vitórias de Malan contra seus desafetos no governo lhe trazem mais problemas que soluções. Se antes ele era responsável somente pela estabilidade, ficando o desenvolvimento por conta de outros, agora a conta do desenvolvimento vai ser cobrada dele. E como desenvolvimento com a política econômica atual é coisa para mister M, o mágico, é mais do que certo que mister Malan se meteu numa enrascada e que mister Tápias pode ter sido chamado para o ministério como regra três, caso a situação do homem do FMI se torne insuportável. Num caso como esse, nada melhor que um banqueiro, dublê de empreiteiro, para substituí-o.

De qualquer modo, a coisa nem havia esfriado, com um Ibope popular de envergonhar qualquer programa mortadela de repetidora do interior, FHC resolveu partir para uma daquelas suas ofensivas desastradas, jogando a culpa dos problemas no Congresso. Mesmo que tivesse razão, vergonha maior foi ter que engolir tudo o que disse no dia seguinte, sem que ACM e Temer precisassem falar alto. Se a motivação para vencer desafios for nessa batida, nem prá frente, nem rumo firme.

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