Pode?

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Pode?, n. 210, s/d.

 

 

FHC bem que se esforçou para demonstrar liderança durante a reunião dos presidentes da América do Sul, chegando até a prometer enfrentamento contra o G7. Se não o conhecêssemos, até poderíamos acreditar no surgimento de um novo líder antiimperialista no continente. Para o público interno, a grande notícia do governo foi o anúncio de mais 9,5 bilhões de Reais para a área social, no orçamento de 2001. No caso, a promessa escorreu pelo ralo ao ser acompanhada da decisão de um aumento de 5,57% no salário mínimo e de mais um ano – o sétimo – sem aumento para o funcionalismo.

O Planalto se engana como pode no mundo virtual em que surfa, negando-se a encarar a realidade do ângulo da maioria dos brasileiros. Não são apenas as quebras de safra, o ressurgimento da aftosa e a crise mais do que anunciada da energia, já fazendo pipocar apagões pelo interior afora, que colocam à mostra a fragilidade dos anúncios otimistas de porta-vozes oficiais e oficiosos. Não são apenas a derrota política do governo no STF, no julgamento da correção do FGTS em relação aos planos Verão e Collor, e a campanha salarial unificada da CUT, que mostram o esgotamento das chantagens do poder, para manter a todos no conformismo impassível, ante o medo do retorno inflacionário.

Não são apenas a postura mole e covarde ante a vietnamização da guerra interna da Colômbia pelo intervencionismo dos Estados Unidos, e a utilização da mentira deslavada do calote e da moratória para desqualificar o plebiscito da dívida externa que colocam em evidência a falta de caráter e o pânico do grupo palaciano e de seus escribas em discutir a realidade com o próprio povo. São, acima de tudo, a sensação de que a mistificação e o ilusionismo já não têm a mesma força que antes e a perspectiva de que o governo possa perder o controle, tanto da situação econômico-financeira, quanto dos ambientes social e político, que fazem FHC, seus ministros e seus funcionários graduados, do governo e da mídia, a praticarem um besteirol continuado.

Prova? Basta dar uma repassada no que falaram, disseram e fizeram, na última semana, FHC, seus ministros e asseclas, indo da dubiedade de FHC diante do Plano Colômbia e das trapalhadas do depoimento de Martus Tavares na comissão do Senado que investiga o caso EJ-Lalau, às diatribes de Malan contra todos que não concordam com o governo, às sandices de Pratini de Moraes frente ao surto de aftosa, às “descobertas” do ministro Tourinho diante da situação energética do país e às distorções descaradas de Malan, Nunes Ferreira, Mírian Leitão e outros, quanto aos objetivos do plebiscito da dívida. Isso para ficar apenas nos mais boquirrotos.

Só que, depois de tudo isso, ainda querem que a oposição não federalize as campanhas municipais. Pode?

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