Planos do lado de lá

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Planos do lado de lá, n. 265, 06 out. 2001.

 

 

Enquanto as ondas de choque da crise econômica mundial, puxada pela recessão-quase-depressão do colosso americano e agravada pelos atentados terroristas nos Estados Unidos, batem forte na economia brasileira, desvalorizando o real, empurrando os juros para cima, refreando as exportações, reduzindo as atividades produtivas, aumentando o desemprego etc. etc. etc. FHC e seus ministros fundamentalistas continuam repetindo, feito papagaios, que nossos fundamentos econômicos permanecem sólidos, que as exportações são a salvação e que o ambiente social do país melhorou.

O presidente não só mente como tenta, mais uma vez, induzir a opinião pública a acreditar que os problemas presentes em nosso país se devem a fatores externos. Mais: tem insinuado que os fatores mais graves decorrem dos ataques terroristas e que, também aqui no Brasil, será necessário adotar sérias medidas de segurança. Pretende, aproveitando-se da conturbada situação mundial, efetivar seus planos de retomar a iniciativa e reverter as tendências políticas que lhes são desfavoráveis.

É verdade que FHC e os seus ainda parecem tatear no escuro, sem saber exatamente o que fazer. Não sabem, por exemplo, como retomar o ideário de Keynes e sair da crise em que entraram, em virtude de mais de uma década de
neoliberalismo. Ou, como administrarão as manobras autônomas do PFL e PMDB, seus aliados só fiéis a troco de grandes vantagens, que já se lançaram para ampliar seus espaços de mando. Ou, ainda, como escolher um candidato viável do PSDB. Ou, mais importante do que tudo, como impedir que o PT e Lula vençam as eleições e, se isto não for possível, como inviabilizar o governo de esquerda.

De qualquer modo, eles procuram operar todos os cenários possíveis e as diversas opções com as quais podem contar para atingir seus objetivos. É evidente, por outro lado, que as conseqüências desastrosas de suas políticas sobre a economia, sobre a vida dos trabalhadores, das classes médias e da população marginalizada e sobre os próprios grupos no poder não os ajuda. Criam, ao contrário, condições favoráveis para o avanço da esquerda, em especial do PT.

No entanto, para vencer os planos e resistências das elites que dominam o poder no Brasil, essas condições favoráveis não são suficientes. No contexto econômico, social e político de nosso país e do mundo, não basta que as forças populares e democráticas obtenham apenas a vitória eleitoral nos dois turnos das eleições de 2002.

Para vencer e mudar o modelo econômico, erradicar a miséria e reduzir a pobreza, ampliar a democracia participativa, recuperar a soberania nacional e opor-se seja ao terrorismo fundamentalista, seja ao terrorismo guerreiro de Bush, é preciso e indispensável transformar a insatisfação e o descontentamento populares tanto em votos, quanto numa mobilização massiva em apoio a essas mudanças. Só com essa mobilização os planos do lado de lá talvez não saiam do papel.

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