Passos para a contra-ofensiva

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Passos para a contra-ofensiva, n. 469, 08 out. 2005.

 

 

A eleição de Aldo Rabelo para presidente da Câmara pode representar mais do que simples vitória governista. Pode ser uma inflexão na defensiva petista. A partir do caso Waldomiro Diniz, a oposição conservadora deteve a iniciativa política e passou a desgastar o PT e o governo, chegando ao ápice na crise atual. Os resultados do PED e a eleição de Aldo podem estar criando uma situação em que os conservadores talvez se vejam obrigados a confrontar-se com a inversão daquele processo.

O rearranjo interno do PT, legitimado pela presença massiva da militância no PED, aponta para uma nova postura petista frente ao governo. Embora tenham reiterado que pretendem o sucesso do governo e apóiam a reeleição de Lula, os militantes indicaram que têm críticas à política econômica e social do governo, assim como aos objetivos e métodos de suas alianças. A nova direção petista terá que construir métodos que evitem os desastres cometidos pelos antigos dirigentes do grupo majoritário. Sem isso, o PT dificilmente manterá o apoio de sua militância, evitará a continuidade ou a repetição da crise e terá condições de passar à contra-ofensiva política.

Mesmo porque, apesar de a oposição ter perdido parte de seu gás sem conseguir provas contundentes nas CPI’s, e ter fracassado na manobra de substituição do presidente da Câmara, ela ainda não se considera na defensiva. Continuará fazendo tudo para manter a ofensiva política e desestabilizar o governo Lula, contando para isso, paradoxal, mas previsivelmente, com a santa aliança da ultra-esquerda, sempre pronta a eriçar lanças toda vez que os alvos sejam o PT ou o governo Lula.

Por outro lado, na disputa atual, não basta ter claro que o principal inimigo político é o tucanato-pefelista. É preciso que o PT e a maioria de seus parlamentares e dirigentes petistas, não-envolvidos em casos de corrupção, como indivíduos, adotem uma nova postura. Revigorados pela resposta da militância durante o PED, precisam adotar uma atitude crescentemente firme.

Seja para punir os dirigentes que afundaram o PT na crise. Seja para discutir os projetos do governo. Seja, ainda, para responder à oposição conservadora, encostando contra a parede os parlamentares e dirigentes do PSDB e do PFL, principalmente aqueles envolvidos em assuntos de caixa 2 e casos de corrupção. Não é tudo, mas certamente são os passos necessários para passar à conta-ofensiva política.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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