Para onde vamos

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Para onde vamos, n. 128, 06 fev. 1999.

 

 

A oposição discute se exige ou não a saída de FHC e a convocação de novas eleições. Tem medo que desestabilize o governo e atinja a democracia. Por isso, fica no apelo à mudança da política econômica, acreditando que o monstro pode ser humanizado por quem o criou.

Na mesma linha, há quem diga que, sem mudar o Congresso, derrotando sua maioria conservadora, não adianta mudar o presidente. Além disso, solicitar sua renúncia seria um rompimento com as regras do jogo democrático, tacitamente aceitas quando a oposição aceitou participar das eleições e institucionalizar-se partidariamente. Há ainda os que sustentam que convocar novas eleições pouco adiantará por corrermos o risco de perder na nova disputa.

Ante tais argumentos, seria o caso de perguntar por que participamos na luta das Diretas, do movimento pelo impeachment de Collor e das disputas presidenciais? Com argumentos desse tipo, joga-se no lixo todo sangue, suor e lágrima que foi vertido para romper com as situações existentes. Bem vistas as coisas, o povo ganhou em algumas, mas perdeu em todas. Por esse raciocínio, o melhor mesmo seria deixar as coisas como estão.

O que alguns parecem não dar-se conta, na atualidade, é que a desestabilização do governo já é um dado da realidade, produzido por ele próprio. Crer que FHC possa reconquistar a credibilidade e a estabilidade políticas é o mesmo que haver acreditado na durabilidade de 20 anos do Real. O segundo mandato de FHC já dava sinais de afundamento desde o segundo turno e naufragou na sexta-feira em que a boataria teve mais credibilidade do que a palavra do presidente. Nas ruas, já não se encontra quem confesse haver votado em FHC.

Mesmo porque quem agora governa o país, instalado no Banco Central, é o IMF-RR —o representante residente do FMI. O governo segue suas ordens, gerando um clima de convulsão social e crise institucional, não só com a política econômica, mas também com as demais políticas que vem impondo ao povo. É esse clima e a quase inevitável crise institucional que daí deve advir que colocam a democracia em risco. Sem propostas político-institucionais claras, que levem em conta a legalidade democrática e, ao mesmo tempo, os impasses que o próprio governo está criando, a oposição poderá ver-se entre a opção de apoiar FHC ou amarrar-se à cauda do dragão mineiro.

Em qualquer dos dois casos, talvez se veja diante de alguma fórmula legal de afastamento de FHC, com a posse do vice ou a convocação de novas eleições. Com a desvantagem de não ter mobilizado o povão para exigir o debate sobre as verdadeiras reformas estruturais, democráticas e populares, capazes de tirar o Brasil da crise e ingressar num novo caminho. Será pior do que a entrada atrasada na luta pelo impeachment de Collor.

 

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