Otimismo abalado

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Otimismo abalado, n. 231, s/d.

 

 

FHC e seus ministros econômicos anunciaram com pompa e circunstância que o Brasil, finalmente, entrara num processo de crescimento sustentado, podendo repetir a performance do Brasil Potência da ditadura militar. Para eles, não havia nada no horizonte internacional ou nacional que pudesse atrapalhar essa ascensão irresistível. Numa lógica impecável, deduziam que, com a economia em alta, FHC finalmente recuperaria a popularidade perdida, poderia influir na escolha de uma candidatura governista imbatível, que voltaria a soldar a aliança conservadora e garantiria a continuidade dessa aliança no poder por muitos anos mais.

Diante de uma análise desse teor, a briga na base governista em torno das presidências da Câmara e do Senado não passaria de querela inútil, já que logo logo o presidente estaria a cavaleiro de uma situação econômica invejável e, portanto… Com a certeza dos iluminados, FHC sonhava fazer com que os aliados rebelados voltassem a comer em suas mãos, retomar o cetro imperial, que não sabia por onde andava, e preparar uma surra em regra na oposição de esquerda, em 2002. Seus sonhos eram inebriantes e exalavam o otimismo dos confiantes.

Porém, nem bem a trupe governamental tornou públicos seus argumentos, as economias americana e internacional emitiram sinais de que as melhores previsões podiam não ser a mais certas, soprando um vento gélido sobre as
perspectivas da economia brasileira, sentido imediatamente por mais um fiasco da balança comercial e pelas vacilações sobre um novo corte na taxa básica de juros, prometido e previsto por dez entre cada dez analistas oficiais e oficiosos.

FHC parece não entender que deixou o Brasil completamente vulnerável a qualquer instabilidade internacional. Por ignorância – a ignorância é mãe de muitas tragédias – ou por uma deliberada opção de viver na realidade virtual, FHC teima em desprezar a realidade real e conduz o Brasil para o desastre. É evidente que ele deve afundar junto, mas isso não é motivo nenhum de satisfação, já que também todos nós, brasileiros, teremos que acompanhá-lo. A não ser que a resistência popular cresça e o impeça de continuar aplicando atrabiliariamente suas medidas provisórias, seus programas de privatização e suas políticas que privilegiam os banqueiros, financistas e grandes multinacionais.

O otimismo dos donos do poder foi abalado, mas isso não significa que eles cairão na real e terão a modéstia de reconhecer que precisam mudar. O mais provável é que, como sempre, retomem o otimismo sem base, tão logo passe o susto, pois isso faz parte de sua natureza enganadora.

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *