Os problemas da direita

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Os problemas da direita, n. 497, 29 abr. 2006.

 

 

Além de ter que enfrentar um presidente da República que parece não haver sido batido por mais de seis meses de artilharia pesada da oposição (tanto de direita, quanto de esquerda), e um PT que continua merecendo uma boa preferência popular, o PSDB e o PFL estão às voltas com dificuldades internas, que demonstram bem as fraturas que ainda impedem a burguesia brasileira de unificar seus projetos e suas forças.

Numa disposição digna dos templários da idade média, o ex-governador Alckmin se impôs como candidato do PSDB, tudo fazendo crer que suas posturas mais conservadoras trariam, com mais facilidade, o PFL para ocupar a candidatura à vice-presidência e consolidar logo a aliança entre os dois partidos que melhor representam a direita brasileira na atualidade. No entanto, não foi o que ocorreu.

Apesar de a derrota de Lula ser a prioridade de ambos, como reafirma sempre o senador Bornhausen, e de Alckmin viver reiterando que, se depender dele, a chapa será PSDB e PFL, as divergências internas continuam atrapalhando o acordo entre os dois partidos. As disputas entre eles, para os governos de pelo menos cinco unidades federativas (Amazonas, Goiás, Distrito Federal, Rio de Janeiro e Santa Catarina), tornaram-se guerras intestinas. E, em três outras (Maranhão, Sergipe e Bahia), apresentam dificuldades consideráveis para serem superadas.

Para complicar ainda mais a situação, o prefeito César Maia, da cidade do Rio de Janeiro, que era o pré-candidato do PFL à presidência, declarou publicamente que é possível que o PFL não indique o vice na chapa tucana. É verdade que essa declaração parece estar cheirando a uma estratégia de chantagem pefelista, para arrancar o máximo de concessões do PSDB nos acordos em torno das candidaturas a governador. Por outro lado, também é possível que isso esconda uma postura de espera, para ver até onde a candidatura Alckmin tem potencial para deslanchar.

Porém, essas manifestações da superfície apenas mascaram que, na base de todas elas, devem estar as promessas sinceras de Alckmin, de que vai priorizar a Área de Livre Comércio das Américas – ALCA, retomar as privatizações, colocar de lado as políticas sociais e de direitos humanos e reduzir ainda mais o papel do Estado. Algo não só extremamente anti-popular, mas também difícil de ser aceito por parcelas consideráveis da própria burguesia nativa. Essas parcelas sabem o que lhes custou o mesmo tipo de política, levada a cabo por FHC. Nessas condições, PSDB e PFL vão terminar por se aliar, mas com fraturas e seqüelas que refletem as divisões em sua base social.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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