Ofensiva em várias frentes

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Ofensiva em várias frentes, n. 448, 13 mai. 2005.

 

 

Os chineses parecem estar em ofensiva em várias frentes. Na frente oriental, a política de convidar os líderes dos principais partidos oposicionistas de Taiwan para visitarem a parte continental foi ampliada com a chegada a Xian do presidente James Soong, do Primeiro Partido do Povo, o segundo maior partido da ilha.

Com isso, Beijing procura unificar as forças oposicionistas de Taiwan em torno de três pontos: do Consenso de 1992, que havia assinado com o Guomintang para reduzir as tensões entre a província e o governo central; da idéia de “uma só China”; e da oposição aos que advogam a “independência de Taiwan”.

Na frente ocidental do comércio internacional, a China procura desfazer os temores que cercam as exportações de seus têxteis, após o fim global das cotas de importação. O ministro do Comércio da China, Bo Xilai, ao mesmo tempo em que afirmava que seu país precisa vender 800 milhões de camisas para comprar um único Airbus A380 (só a China Southern Airlines está adquirindo cinco desses novos jumbos), reiterou que a China é um ator responsável no comércio internacional e pretende evitar qualquer onda de choque com exportações massivas de roupas. Referia-se, sem dúvida, ao aumento das alíquotas de exportação sobre os têxteis produzidos por seu país.

Paralelamente a isso, a China continua ampliando o número de países que a reconhecem como economia de mercado. A União Européia deve juntar-se brevemente a esse grupo, principalmente tendo em conta os recentes passos chineses na regulamentação das fusões e aquisições e do controle dos preços praticados por empresas dominantes.

Em sua frente central macroeconômica, a China voltou a reafirmar que não mudará a política cambial antes de ter completado as reformas de seu setor financeiro. O que não se deve esperar para breve, já que essa reforma envolve não apenas a melhoria do padrão de funcionamento de suas próprias instituições financeiras, mas também a abertura paulatina de seu mercado para instituições financeiras estrangeiras.

Nessa frente específica a China desagrada países como os Estados Unidos, que gostariam de ver reduzido seu déficit comercial com o dragão asiático, mas agrada e muito a comunidade dos países asiáticos, que têm na estável política cambial chinesa uma referência de estabilidade econômica regional.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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