O primeiro ataque

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | O primeiro ataque, n. 385, 22 fev. 2004.

 

 

Se alguém pensava que a disposição do governo em dialogar com todas as forças políticas e criar um ambiente de unidade para tirar o país da crise, herdada de FHC, iria caminhar sobre pétalas de rosas enganou-se e deve estar surpreso com o primeiro ataque sério ao PT e ao governo Lula. A tentativa de associar as atividades do evidente picareta Waldomiro Diniz ao comportamento geral desse partido e, em particular, do chefe da Casa Civil do governo é quase certamente, o elo de uma cadeia de provocações montadas para paralisar o governo.

Apesar da baixaria do ataque, ele não seria um grande problema se o PT e suas bancadas houvessem respondido a ele ofensivamente. Afinal, ao invés de ficar no nhém-nhém-nhém característico dos governos anteriores, que procuravam esconder as irregularidades e só afastavam os envolvidos depois que o Congresso e a sociedade elevavam as pressões e as denúncias para o esclarecimento dos casos, o governo Lula demitiu imediatamente o assessor da Casa Civil sob suspeita e encaminhou à Polícia Federal e ao Ministério Público o pedido formal de investigações e abertura de inquérito. Portanto, ao contrário das práticas correntes em governos anteriores, o governo popular agiu prontamente, criando todas as condições para o esclarecimento das denúncias.

Nessas condições, não se justifica a ação estapafúrdia da oposição conservadora, procurando a todo custo instaurar uma CPI, nem a defensiva das declarações e das ações desencontradas de boa parte do PT, e menos ainda as tentativas de associar as atividades ilícitas de Waldomiro Diniz ao ministro José Dirceu, por este haver nomeado aquele como seu assessor parlamentar. Na verdade, os autores dessa associação pretendem, por tabela, atingir o governo e o PT, como um todo. E parecem querer desviar a atenção dos verdadeiros motivos que os levaram a desencadear tal ação justamente agora. Por que esperar tanto tempo? E por que um bicheiro, com experiência de ficar sempre na sombra, decidiu colocar seu pescoço à mostra e em risco?

É muita coincidência que tudo isso ocorra no momento em que o governo e o PT discutem mais intensamente as alternativas de desenvolvimento para o país, estejam empenhados na definição de uma política industrial e de crescimento associada à geração de empregos e na criação de parcerias estratégicas com a África do Sul, Índia e China, além de seu empenho em consolidar a cooperação sul-americana. Vale a pena ir mais fundo nesses motivos, assim como no esclarecimento do caso Diniz e numa verificação mais intensa sobre a possível existência de outros seres estranhos no ninho do governo. O caso atual é apenas um ensaio do que o lado de lá pode criar.

 

Wladimir Pomar é analista político e escritor.

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