O jogo está na mesa

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | O jogo está na mesa, n. 227, s/d.

 

 

O novo milênio começou frenético. Além do Rock in Rio e dos ensaios para o Carnaval, temos os partidos governistas arregimentando baterias e alas para fazer nova divisão do poder nos anos que antecedem a próxima disputa presidencial. ACM bem que tentou desestabilizar a candidatura do PMDB à presidência do Senado, mas parece que ele e o PFL andaram atravessando o próprio samba e não conseguiram abalar a indicação de Jader Barbalho.

A promessa de que FHC interviria para salvar a aliança, forçando a renúncia de Aécio e Jader e mantendo a divisão tripartite do poder, não passou de uma bolha especulativa. Como sempre, o presidente disse que não disse, está indo a Timor Leste e a Bali, que ninguém é de ferro, e acatou a sugestão de só convocar extraordinariamente o Congresso para o período de 29 de janeiro a 14 de fevereiro. Com isso, a esperança de ACM e do PFL de realizarem a eleição das mesas do Congresso apenas no final de fevereiro, ganhando tempo para barganhar votos e mudar o quadro desfavorável, se não morreu, está mais para a cova do que para desfile.

Apesar de toda a conversa de melhoria da economia e de recuperação da popularidade, a força de FHC anda menor do que a da rainha de Inglaterra. Tem pompa e circunstância, mas já não decide nem impõe sua vontade. Ele diz uma coisa, mas o que vale mesmo para o PSDB é o que Covas dita. E ACM parece destinado a sina idêntica, já que seus rompantes e ameaças não só deixaram de ter efeito prático contra Jader e a aliança PSDB-PMDB, como parecem havê-lo isolado dentro do próprio partido.

Podemos, assim, assistir à quebra de um dos pés da aliança que sustenta o governo FHC, o que só pode ser explicado pela corrida desatinada da burguesia para encontrar um sucedâneo ao projeto neoliberal. Ela quer manter as linhas gerais desse projeto, mas sob um outro paramento, que reacenda as ilusões e esperanças nas elites e impeça que a esquerda chegue ao governo central. Como a recuperação da economia e de FHC é duvidosa, o PSDB “progressista” e o PMDB de “centro-esquerda” preferem descartar-se do mais que evidente PFL conservador e preparar-se para uma candidatura de “esquerda”, tipo Tasso Jereissati, Ciro Gomes, Pedro Simon ou mesmo Itamar Franco. O importante, no caso, é romper a unidade da esquerda e evitar as chances de uma candidatura popular. O jogo está na mesa, e só não vê quem não quer.

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