O jogo do desmonte

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | O jogo do desmonte, n. 252, 07 jul. 2001.

 

 

Desta vez começou bem mais cedo. Há quase um ano e meio das eleições de 2002, o desmonte do perfil marcante do PT e de Lula pela máquina de propaganda das elites burguesas já está a pleno vapor.

Mas, ao contrário das vezes anteriores, em que eram apresentados única e exclusivamente como bichos-papão, o PT e Lula ganharam novos contornos. Segundo a tônica das reportagens, artigos, crônicas e comentários publicados mais recentemente, agora temos também o PT sensato e o Lula ‘light’.

Ou seja, no momento em que as políticas de FHC e sua aliança conservadora entram em crise de apagão generalizado; no momento em que setores crescentes da população se colocam contra esse governo de mentiras e irresponsabilidade; no momento em que o descontentamento assume contornos de ira popular; no momento em que o Brasil só pode sair da crise profunda em que foi metido se romper com o modelo imposto pelo FMI e corporações transnacionais; no momento em que é preciso deixar claro quem está a favor dos interesses da esmagadora maioria do povo brasileiro e contra os interesses da minoria dominadora; nesse momento, a propaganda do sistema procura incutir nesse mesmo povo que o PT e Lula não têm mais qualquer compromisso com ele, nem com o rompimento do modelo dominante.

Já não é mais a exploração dos medos a única e grande ferramenta utilizada para desmontar a possibilidade da vitória petista nas eleições de 2002. Ao contrário. Segundo os mais sisudos analistas do poder, já não existe o temor de que o PT chegue ao governo. Nada, ou muito pouco, conforme asseguram, vai mudar. O maior partido da oposição, ao tornar-se responsável, finalmente teria despertado para a intocabilidade dos contratos e para a necessidade de conservar os fundamentos econômicos implantados por Malan e companhia.

A descaracterização, a deformação, o desfibramento e a desfiguração do que se pensava ser o grande partido da mudança, transformando-o no grande partido da continuidade, torna-se cada vez mais a grande ferramenta do desmonte atual do perfil do PT e de Lula. Querem mostrar para o povão, a todo transe, que ambos não são de nada. Não passariam de onças amansadas, cujo rugido não assustaria mais ninguém.

Em 89, 94 e 98, exploravam o medo de que o PT e Lula, chegando ao governo, implantariam uma revolução completa, como se isso dependesse deles e não do povo. Agora, inverteram tudo e querem explorar a possibilidade do PT e Lula, chegando ao governo, serem iguais a todos os partidos e presidentes que por lá passaram, mesmo que o povo deseje mudanças para valer. O jogo do desmonte está delineado. O PT e Lula que se cuidem.

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