O ilusionista

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | O ilusionista, n. 152, 21 jul. 1999.

 

 

O ilusionista, com seus rápidos movimentos de mãos, ou com seus discursos de promessas que calam fundo nas esperanças dos espectadores, é um mestre em iludir a vigilância destes. Na história política brasileira,

surgiram muitos mestres do ilusionismo, mas talvez nunca como no período mais recente. Durante quatro anos, usou-se e abusou-se dessa arte para fazer com que todos acreditassem que o Real era a salvação imbatível do país, que criaria milhões de empregos, acabaria com a miséria etc etc etc.

Mas o ilusionismo tem suas fraquezas. Basta que o espectador descubra o engodo para que o ilusionista perca seu poder de iludir. Não por acaso, FHC, como outros antes dele, amarga crescente descrédito. Cada vez menos gente crê em suas mágicas. Talvez por isso a reforma ministerial tenda a ser explicada como uma maneira de reerguer o prestígio presidencial.

Com a mexida no ministério, FHC se transformaria em comandante de fato, em chefe inconteste do governo, capaz de acabar com as tricas e futricas em sua base política e de colocar em prática as reiteradas promessas de crescimento econômico, emprego e justiça social. A chave para isso, segundo o próprio presidente, seriam as exportações.

FHC deixou, assim, transparentes suas razões. Na troca de seis por meia dúzia, ele mexeu nas peças chave que tratam das exportações, sinalizou a preparação do Banco do Brasil para a privatização e apontou que está disposto a fazer tudo que for necessário para garantir a remuneração dos capitais externos emprestados ao país. Ao não gerar os saldos esperados com a desvalorização do Real, as exportações estavam deixando inquietos os banqueiros internacionais, assim como Mr. Camdessus-FMI e Mr. Summers-FED.

Descobrimos, então, que vivíamos uma ilusão ao supor que ACM era o capo dos capos, que o PFL era o verdadeiro partido no poder e que o governo privilegiava as corporações multinacionais. Quem manda no país é mesmo a dupla Camdessus-Summers, por sua vez empregados de Bill Clinton.

O verdadeiro partido no poder, delegado plenipotenciário daquela dupla de managers, é mesmo o PSDB. E as corporações transnacionais não precisam de privilégio: segundo informações do próprio BNDES, são elas as únicas beneficiárias dos grandes financiamentos desse banco, que funciona com o dinheiro público brasileiro.

Grande ilusionista, esse FHC! Enquanto nos faz pensar que se importa com sua popularidade, ou com ACM, ou com as tricas e futricas do PMDB, ou ainda com outras coisas menores, como emprego e miséria, ele está é tratando do que interessa, como a Ford, e mantendo na sombra os verdadeiros mandantes do país.

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