O emprego dele ou o nosso

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | O emprego dele ou o nosso; 09 set. 1998.

 

 

O governo rendeu-se à evidência da crise e adotou medidas imediatas de ajuste fiscal. Pedro Malan anunciou cortes de 4 bilhões de reais, que atingem os programas sociais do governo e, em particular, os planos do ministro Serra. Com isso, espera afugentar as incertezas dos investidores, de forma que não cessem o fluxo de capitais para o Brasil.

O pânico governamental não é artificial. A crise deixou de ser localizada. Está no centro do sistema capitalista mundial. A recuperação do Japão e da Ásia parece distante e a China, quem diria, tornou-se a operadora da torneira. Depende dela a gota d’água que pode afundar o resto do mundo na recessão ou na depressão: basta que se canse da irresponsabilidade geral e ajuste seu câmbio para manter competitivos os seus produtos.

No Brasil, FHC pensou que podia enganar o sistema financeiro internacional do mesmo modo que engana o povão. Ao contrário do que afirmava, mostrou-se o grande gastador do país, perdendo credibilidade ante aquele sistema que, em momentos de crise, tem pouca propensão para confiar em charme e promessas. A agência Moody’s, portanto, somente refletiu a perda de confiança dos homens do dinheiro mundial no governo brasileiro, mesmo sabendo que este precisa, até o final do ano, pelo menos, 20 bilhões de dólares para os compromissos assumidos.

É isso que obriga FHC e sua equipe econômica a adotar, em plena reta final do processo eleitoral, medidas que desmentem sua propaganda. Precisam emitir sinais que recuperem a confiança dos investidores externos. 4 bilhões de reais deve ser a quantia necessária para pagar a subida imediata dos juros. Sem o dinheiro deles, as reservas tão glorificadas por FHC se tornarão minguadas e ele pode ver-se diante da opção, ainda mais difícil e desmistificante, de recorrer ao FMI ou à moratória, a curtissimo prazo.

Tais sinais, porém, se podem tranquilizar os donos do dinheiro, não impedirão que a crise desabe sobre o povo brasileiro, de forma ainda mais dura e perversa. Desse modo, outra vez nesta campanha, são as próprias ações de FHC que colocam suas vulnerabilidades à mostra e o empurram para a derrota. Mas a oposição de esquerda não tirará partido disso se continuar com o espírito de capitulação que a tem norteado até agora.

Embora meio tarde, já não seria hora de dizer aos trabalhadores, como faz um sindicato carioca, que, ou eles tiram o emprego de FHC, ou correm o perigo de deixá-lo tirar os seus?

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *