O candidato de FHC

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | O candidato de FHC, n. 240, s/d.

 

 

Não demorou nada para que FHC deslindasse seu empenho em adiar o debate sucessório. Queria tempo para preparar e lançar seu candidato preferido, Pedro Malan, mas a corrida de atropelo dos presidenciáveis de seu próprio partido obrigou-o a colocar o gato no telhado, insinuando que o ministro da Fazenda deveria filiar-se ao PSDB para disputar… o governo do Rio de Janeiro.

Na verdade, Malan é, há muito, o candidato dos sonhos de FHC à presidência. É aquele que, se eleito, tem o compromisso explícito de dar continuidade à política de subordinação do Brasil à nova ordem mundial comandada pelos centros visíveis de poder das grandes corporações multinacionais, sediados em Washington: o governo dos Estados Unidos, o FMI e o Banco Mundial. Com ele, praticamente não haveria mais intermediário. Teriam um representante direto à frente do governo.

Pode-se dizer que FHC, com isso, atende de modo mais amplo à preocupação que assola alguns círculos da esquerda: colocar, não só à frente da economia, mas também do próprio governo, alguém que tenha a confiança plena do sistema financeiro internacional e possa, com isso, contar com apoio para debelar as crises com as quais o país se confrontará, inevitavelmente.

Pobre país o nosso, em que ainda há gente que acredita que nossa salvação reside em entrar de vez pela porta do inferno. Por isso mesmo, a possível candidatura de Malan não deve ser vista com o mesmo desprezo com que foi vista, em seu tempo, a pré-candidatura Collor. Malan pode não ter experiência eleitoral mas, para início de conversa, tem a chave do cofre. Pode “mostrar sensibilidade” diante de governadores e prefeitos, abrindo algumas torneiras capazes de conquistar aliados e apoiadores.

Há muito Malan também vem abordando, a seu modo, os temas sociais: por um lado, “demonstra sensibilidade” em relação a eles e, por outro, aplica uma política real socialmente perversa e destrutiva. Porém, como para a mídia dominante vale o discurso e não o fato, teremos um candidato “sensível ao social”. Além disso, segundo os magos do marketing político, a um candidato presidencial não é requerida uma carreira eleitoral anterior – a não ser, é lógico, quando esse candidato é o Lula, obrigado a explicar por que nunca se candidatou a prefeito, nunca venceu uma campanha para governador e abandonou o parlamento por vontade própria. Para um candidato como Malan, basta apenas ter vida pública com serviços prestados à sociedade.

Como para esse marketing o que vale á a generalidade, tanto fazendo que tais serviços tenham sido prestados somente para um dos lados da sociedade, os argumentos para justificar a candidatura preferida de FHC estão postos sobre a mesa. Agora, só é preciso que a direita o assuma como seu, da mesma forma que fez com FHC em 1994.

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