O bloco nas ruas

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | O bloco nas ruas; 23 set. 1998.

 

 

O quadro político eleitoral, aparentemente, parece nada ter com a crise econômica. A campanha de FHC não só a ignora olimpicamente, como exala euforia com a manutenção dos altos índices da candidatura. Se o que diz a mídia fosse para valer, FHC estaria eleito no primeiro turno.

Para completar, a mão invisível do apoio à sua candidatura, dos grandes banqueiros internacionais, do FMI e dos Estados Unidos, prometeu ajuda em caso de dificuldades financeiras mais graves no Brasil. As promessas são maiores do que as possibilidades, mas o que vale mesmo é o simbólico, a indicação de que os credores internacionais apóiam FHC e estão dispostos a sustentá-lo. O povo pode confiar, eis a mensagem.

Apesar disso, analistas mais neutros afirmam que o pior da crise ainda não apareceu e que as elites do capital não sabem o que está acontecendo. Nessas condições, as promessas de ajuda podem falhar. Além disso, mais dinheiro emprestado ao Brasil pode não salvá-lo da crise, do mesmo modo que a Rússia não se salvou. A ladainha de que o Brasil não é a Rússia vem sendo repetida há muito e não adiantou nada para nos livrar dos ataques especulativos.

Isso porque o dinheiro especulativo é cego, surdo e mudo, mas tem olfato e tato excepcionais para sentir onde pode ganhar mais dinheiro fácil e onde corre perigo de perder. O governo FHC criou um ambiente propício para o dinheiro especulativo, mas uma armadilha para o país, do mesmo modo que a maioria dos países do mundo. Assim, para os sentidos do dinheiro esperto, tornou o Brasil parecido a todos eles. É, portanto, o responsável pela situação crítica do país.

Tal responsabilidade está se tornando mais clara agora e pode levar os mais de 15 milhões de indecisos, e os milhões de insatisfeitos propensos a votar em FHC, por acharem que não há outras opções, a descarregar seus votos na oposição. Nesse sentido, a candidatura Lula poderia dar uma contribuição maior para esse processo, não só calibrando melhor seus ataques a FHC e seu governo, como direcionando sua fase final de campanha para conquistar esses setores do eleitorado.

Em outras palavras, o PT e os demais partidos de oposição precisam fazer, neste últimos dias antes das eleições, aquilo que sabiam fazer com competência e alegria: botar o bloco na rua, realizar o corpo a corpo com o eleitor. Se souberem fazer isso, e estiverem convencidos de que a vitória de FHC será a continuidade de uma política cujas conseqüências destruidoras já estão dramaticamente visíveis, o segundo turno será uma realidade concreta. Neste caso, estarão criando as condições para mudar os rumos do país.

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