Novo modelo

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Novo modelo, n. 251, 30 jun. 2001.

 

 

A proposta de um novo modelo de desenvolvimento, feita pelos economistas petistas, e a ser debatida pelo PT como parte de seu programa de governo, tem o mérito de contribuir para o debate sobre os caminhos que a economia brasileira deve trilhar para sair da crise.

Embora o diagnóstico geral sobre a situação da economia nacional seja adequado, os economistas do PT parecem continuar incorrendo no erro de considerar que o neoliberalismo fracassou ao aprofundar a dependência do país, tornar mais vulnerável nossa economia, transferir a renda nacional para os países ricos e suas corporações multinacionais, limitar o crescimento e aumentar o desemprego e a exclusão social.

O neoliberalismo pretendia justamente isso. A não ser que se acredite que seus objetivos fossem elevar o país aos padrões do primeiro mundo, como prometeram Collor e FHC, o neoliberalismo teve pleno êxito. Problema diferente é considerar que o neoliberalismo esgotou sua missão ao gerar, de acordo com sua lógica de expansão capitalista, uma crise mais do que previsível.

A proposta dos economistas petistas, por outro lado, compromete-se a tomar o social como eixo do processo de desenvolvimento, rompendo com o atual modelo, vencendo as limitações cambiais, fiscais, energéticas e logísticas, criadas pelas políticas neoliberais, e superando as vulnerabilidades externas relativas ao déficit estrutural da conta serviços da balança de pagamentos.

Uma política de estímulo às exportações, racionalização dos transportes, armazenamento e comercialização, substituição das importações e estímulo ao turismo e à construção naval seria capaz, no entendimento deles, de superar aquelas vulnerabilidades externas, para reduzir a fragilidade fiscal mediante a redução da taxa de juros, e de criar condições para a retomada do desenvolvimento em novos moldes. Com isso, seria possível consolidar a perspectiva social, dando consistência aos programas de reforma agrária, erradicação da pobreza e inclusão dos excluídos.

Vale lembrar que tivemos décadas de experiências brasileiras de estímulo às exportações, substituição de importações, construção de infra-estrutura logística e outras ações que permitiram altas taxas de crescimento, sem que isso atendesse aos reclamos sociais. Então, não seria conveniente discutir melhor se uma reforma agrária massiva e o estímulo, também massivo, à economia informal de milhões de brasileiros, que resistem e sobrevivem, apesar do liberalismo e do neoliberalismo dos sucessivos governos desta república, teriam ou não maior efetividade para superar as vulnerabilidades externas e as fragilidades econômicas?

Essa, no entanto, é uma questão de prioridade que não empana o desejo comum de romper com o modelo econômico neoliberal e criar um novo modelo que tenha como eixo o social. No debate suscitado pelo documento dado a público pelo Instituto da Cidadania, haverá a oportunidade de fazer os ajustes finos e definir o lugar que essas prioridades devem ocupar.

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