Novas perspectivas para Taiwan

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Novas perspectivas para Taiwan, n. 447, 06 mai. 2005.

 

 

O encontro do secretário geral do PC Chinês, Hu Jintao, com o presidente do Guomintang de Taiwan, Lien Chan, no Palácio do Povo, em Beijing, representa um grande passo para por fim às hostilidades entre os dois partidos, 60 anos após o rompimento das negociações de paz de 1946, que conduziram à guerra civil, à vitória do Exército Popular de Libertação e à proclamação da República Popular da China.

Tão importante quanto isso talvez seja, porém, a reafirmação do Guomintang e do PCC em manterem sua adesão ao princípio de “uma só China” e sua oposição às pretensões seccionistas das correntes que hoje governam aquela província chinesa. O comunicado que assinaram prevê a construção de um mecanismo de prevenção de conflitos armados, a abertura de discussões para permitir que Taiwan participe de atividades internacionais, tão logo o diálogo entre a ilha e o continente seja retomado, e a realização de conversações regulares entre os dois partidos.

Embora os dirigentes do Partido Progressista Democrático de Taiwan, atualmente no governo, após uma vitória eleitoral contestada como fraudulenta, ameacem ações legais contra os acordos assinados por Lien Chan e Hu Jintao, do ponto de vista prático a visita do presidente do Guomindang ao continente promete grandes repercussões políticas no futuro das relações entre a província e o governo central.

Do ponto de vista histórico isso não será novidade. Foi a aliança do PC com o Guomintang, então dirigido pelo Dr. Sun Yatsen, em 1924, que propiciou a Expedição do Norte contra os senhores de guerra e estimulou os camponeses a organizarem as bases guerrilheiras que tiveram papel fundamental no futuro da revolução chinesa. Foi o golpe militar do Guomintang, então dirigido por Chiang Kaishek, contra o PC, em 1927, que empurrou as lideranças deste partido para as zonas rurais e lhes permitiu sobreviver às campanhas de cerco e aniquilamento.

Foi a aliança do PC com o Guomintang, ainda sob a direção de Chiang, em 1936, que unificou o país na guerra de resistência contra o Japão. E foi o rompimento entre os dois, após a vitória sobre as tropas nipônicas, que causou a reviravolta histórica representada pela fundação da República Popular. A nova aliança poderá não só levar Taiwan a reintegrar-se pacificamente à China, como eliminar um importante foco de tensão na Ásia. Para desgosto de alguns falcões de Washington.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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