Nova correlação de forças

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Nova correlação de forças, n. 213, s/d.

 

 

Estes comentários serão lidos após a rodada eleitoral de 1º de outubro e, certamente, no contexto de uma nova correlação de forças no país. Todas as pesquisas de opinião apontam para a vitória da esquerda – PT, PSB, PCdoB, PDT e outros – numa série considerável de capitais, cidades grandes e médias e também cidades pequenas, em contraste principalmente com a perspectiva de derrotas do PSDB, aquele que mais será afetado pela impopularidade do presidente.

Além das vitórias expressivas, a esquerda também demonstrará um crescimento importante em redutos em que a máquina governamental supunha poder esmagar qualquer oposição, ou mesmo naqueles lugares em que estratégias frouxas impediram as forças populares de capitalizar o descontentamento popular contra o governo federal.

Na verdade, como acentuamos em vários comentários anteriores, grandes parcelas do povo brasileiro deram-se conta de que FHC não fracassou em sua política. Em seu governo, o Estado teve a capacidade de fazer política econômica, controlar preços, orientar reajustes e montar um sistema regulatório para beneficiar as corporações multinacionais, seus cartéis e seus trustes, permitindo a eles garantir a transferência de bens públicos para os grupos privados, realizar acordos de preços e avançar na monopolização da economia. Foi competente, pois, para reestruturar o Estado em função dos interesses da minoria dominadora, contra os interesses e aspirações da esmagadora maioria da população.

Não conseguiu, porém, ser suficientemente competente para enganar as grandes massas do povo o tempo todo. Teve que transformar as campanhas municipais em verdadeiras guerras das máquinas de dominação contra a organização e a mobilização das forças populares, para impedir que estas, apesar das vacilações e tibiezas de parcelas da esquerda, criassem um ambiente político idêntico ao de 1988, que fez surgir a possibilidade real da esquerda, pela primeira vez na história do país, alcançar o governo central.

Com suas ações, o próprio governo FHC contribuiu para federalizar as campanhas e estimular nos eleitores a vontade de expressar seu descontentamento e, ao mesmo tempo, sua esperança num novo governo e em novas políticas que coloquem o Estado a serviço do povo brasileiro. A mudança na correlação das forças políticas deve aprofundar as disputas dentro do bloco dominante, tendo em vista as eleições de 2002, mas também coloca a esquerda diante de novos desafios. Unificar-se e criar uma força social poderosa, capaz de aprofundar as divisões na direita e atrair o centro, sem fazer concessões programáticas, descortinando nova possibilidade de conquista da presidência da República, talvez seja o maior desses desafios.

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