Mesmice

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Mesmice, n. 270, 10 nov. 2001.

 

 

Entrevistas publicadas recentemente apontam uma inusitada identidade de propostas econômicas de especialistas de partidos governistas e do … PT.

Todos concordam que o próximo governo deve manter as metas de controle da inflação e o câmbio flutuante, aumentar as exportações, reduzir a dependência financeira externa e adotar programas do tipo renda mínima, estes aplicados pelo PT em seus governos municipais e estaduais.

As divergências que aparecem são pontuais: o economista do PFL pretende alavancar as exportações através de cortes nos impostos, enquanto o do PT sugere o incentivo às empresas nacionais. Nada que não possa ser resolvido com um bom diálogo técnico.

Em outras palavras, a operação Mesmice continua em curso, sem que alguns militantes do PT se dêem conta dela. Parecem nem estar aí para o significado da idéia de que todos pensam igual sobre os chamados grandes problemas brasileiros. Só esquecem que metas de inflação, câmbio flutuante, aumento das exportações e redução da dívida fazem parte, há tempo, da pauta do governo FHC, sem que os problemas grandes e pequenos do país sejam resolvidos.

Ao contrário. Tais problemas agravaram-se. Assim, mesmo que seja indispensável adotar políticas de controle inflacionário e de aumento das exportações, e ainda que seja admissível certa flutuação do câmbio e a solução do problema da dívida externa via negociação, o buraco para tirar o país da crise é muito mais fundo.

A manutenção das metas inflacionárias à custa de superávits primários crescentes para pagar os débitos externos já destruiu boa parte do parque produtivo nacional, está entregando o país ao domínio das multinacionais e tende a matar por inanição o povo brasileiro. Nessas condições, falar em aumentar as exportações não passa de enganação.

Então, ou o governo a ser eleito em 2002 amplia massivamente a base produtiva do nosso país, assentando milhões de lavradores, que atualmente não têm acesso à terra e à produção, e apoiando os milhões de produtores urbanos que subsistem na informalidade, enquanto negocia a redução dos escorchantes encargos externos, ou o que teremos será uma repetição piorada do que fez Collor e tem feito FHC.

Alguns economistas do PT deveriam pensar mais nessas coisas antes de dar entrevistas e repetir as mesmices do PSDB, PFL, PMDB e PTB, passando para a opinião pública a idéia de que somos todos iguais. O PT é e tem que ser diferente.

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