Já ganhou! Já ganhou?

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Já ganhou! Já ganhou?; 25 mar. 1998.

 

 

Com cenários ainda dominados pela convenção do PMDB, FHC e seus aliados gargalham. Contam como favas contadas a reeleição. Em sua visão, nada pode superar o blocão da direita, com 40 minutos de programa eleitoral, em que o presidente colocará na telinha os dedos que achar conveniente.

A certeza do Já ganhou! leva o próprio FHC a cometer impropérios em pleno ano eleitoral. Considera desprezíveis os índices de desemprego, ameaça os Sem Terra de endurecimento, fala em novo imposto para a saúde, saqueia as finanças estaduais e municipais e nem se retrata da promessa demagógica de indenização dos proprietários de apartamentos do Palace II.

Nada mais natural, pois, que o clima do Já ganhou! contagie seus aliados. Estes já não pensam em 1998, mas em 2002. Suas estratégias voltam-se para as primeiras eleições do próximo milênio, brigando a tapas e golpes de foice pelos espaços no atual e no futuro governo reeleito, de modo a ter força para a futura disputa presidencial.

Assim, o Já ganhou! mascara os resultados da convenção do PMDB, onde o adesismo venceu por pouco. O que teria levado quase metade desse partido, na maioria gente propensa a aderir aos acenos do poder, a opor-se a FHC? Simples querelas grupais, ou pressões de setores crescentes da população, empurradas para o descontentamento?

Que a vaidade de FHC não lhe permita ouvir o ronco surdo desses setores é compreensível, embora um pouco de audição pudesse lhe evitar  constrangimentos com platéias juvenís em programas de auditório. Que Ciro Gomes tente capitalizar tal descontentamento sem mudar um hífen no programa de FHC, também é compreensível, já que objetiva salvar tal programa. Mas, que a esquerda também pareça cega às mudanças de espírito na base da sociedade, não deixa de ser estranho.

A falta de opções oposicionistas claras beneficia FHC. Talvez por isto, ele não se importe em continuar mouco e deite no Já ganhou! Quem pode vencê-lo? A maioria dos analistas raciocina pela mesma lógica e não vê alternativa.

Entretanto, com tantos fatores de desequilíbrio econômico, social e político na situação brasileira, o descontentamento pode desaguar por canais opostos aos da reeleição, quaisquer que sejam eles. Assim, em lugar do costumeiro Já ganhou!, talvez seja mais conveniente perguntar: Já ganhou?

A diferença é mínima, simples troca de sinal. Mas, nos próximos meses, pode significar uma virada e tanto nos cenários políticos.

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