Incertezas

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Incertezas; 13 mai. 1998.

 

 

O encontro que escolheu Palmeira candidato a governador do Rio, mexeu com os cenários políticos. Brizola ameaçou lançar-se candidato e os demais aliados do PT emitiram sinais desencontrados. No PMDB renasceu o movimento por Itamar candidato, na suposição de transformá-lo em cabeça de chapa de uma frente de centro-esquerda, enquanto Ciro Gomes tenta pescar em qualquer água.

Os tucanos estimularam a desagregação das esquerdas, na expectativa de que isto possibilitaria a reeleição de FHC no 1º turno. Mas o PFL, mais tarimbado, alertou que até mesmo um racha no PT poderia ser mais negativo do que positivo para a candidatura imperial.

No centro da questão parece estar a crescente dificuldade de FHC. Ele não tem mais certeza de que o Real será um cabo eleitoral imbatível. Não sabe se o crescimento econômico será retomado em julho, domando a alta do desemprego. Ignora se o Brasil será abalado por novos desarranjos financeiros internacionais. Teme que os saques dos famintos da seca sirvam de exemplo aos famélicos das cidades. Não tem mais certeza de que, para votar suas reformas antipopulares, baste abrir as burras do governo ao apetite fisiológico dos aliados, a exemplo da votação da reforma previdenciária. E assim por diante.

São tantas as incertezas que, uma crise que parecia ferir de morte seu principal adversário, tornou-se também uma dúvida. Diante da rápida elevação do descontentamento popular, da tendência crescente do eleitorado em votar num poste, do aparecimento de uma esquerda mais aguerrida e, até da possibilidade de uma convulsão social, será mais ou menos perigosa a candidatura Lula?

Para cobrir o flanco do Rio, a direita achou mais conveniente tirar Marcello Alencar, abrindo espaço para César Maia. E a direção nacional do PT, por seu turno, desaprovou a indicação de Palmeira, para manter a aliança nacional com o PDT. Acredita que, livrando-se da esquerda do partido e ampliando sua aliança para o centro, transformará Lula no desejado poste do eleitorado.

Como estas linhas são contraditórias, pode-se supor que a direção do PT queira precaver-se ante uma possível convulsão social.  Livre da esquerda e aliado aos moderados, o PT não seria confundido com qualquer hipotética aventura revolucionária.

Problema um: na hora de votar, o povão vai entender essa jogada? Problema dois: no caso de uma convulsão social, o lado de lá vai acreditar nela? Na Alemanha de 1930, os social-democratas e todos os demais pensavam que atirando os  comunistas às feras, estas se contentariam. Mas, depois, foram os social democratas, os judeus etc etc. O problema mesmo é aprender com a história.

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