Fora FHC??!!

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Fora FHC??!!, n. 161, 21 set. 1999.

 

 

Engraçado como palavras de ordem podem despertar paixões, transformando-se em forças poderosas ao colocar em movimento grandes contingentes humanos. O Petróleo é nosso!, 50 anos em cinco!, A Vassoura!, Com Deus, pela Família!, Abaixo a ditadura!, Diretas Já! Sem medo de ser feliz! Caça aos marajás! Impeachment!, tudo isso, pela esquerda e pela direita, faz parte de nossa história relativamente recente.

Aos poucos o mesmo parece acontecer com o Fora FHC!, menos pelas mobilizações que ainda não realizou e mais pelos comentaristas conceituados que não perdem a ocasião para atacá-lo, considerá-lo um despropósito, e aconselharem o PT e a esquerda a substituí-lo por propostas e projetos demonstrativos de sua aptidão para governar.

O mote é sempre o mesmo: o slogan é golpista, como as propostas de Impeachment, Renúncia e Basta FHC, porque muda o calendário democrático, rompendo uma decisão das urnas. Às vezes, admitem que a mudança teria sentido se o presidente houvesse cometido crime de responsabilidade.

Temos aí uma questão de fundo. O crime de responsabilidade de Collor foi apropriar-se de dinheiro público (e também privado) em benefício próprio. Mas, não é crime de responsabilidade usar o dinheiro público em benefício de grandes corporações multinacionais, bancárias principalmente, em detrimento do povo pobre, dos trabalhadores, das classes médias e mesmo de setores do próprio capitalismo nativo? Ou eleger-se com promessas de desenvolver a agricultura, criar empregos, melhorar a distribuição da renda, aumentar  segurança e, em vez disso, deliberadamente, quebrar a agricultura e a indústria, disseminar o desemprego, agravar a miséria e a insegurança?

Eleito através do engodo e da fraude, FHC é um perigo para o Brasil como nação e para os brasileiros como povo. Seu crime só não é evidente para quem considera o Brasil e seu povo questões secundárias. Retirá-lo do poder por impeachment ou renúncia, mecanismos legais, seria um ato não só democrático, como civilizado, embora não seja do agrado de FHC, nem das forças que o sustentam, pelo menos por ora. Depende, pois, de uma força política popular que cresça e se imponha por sua própria existência, como aconteceu contra Collor.

Tal força política só pode expressar-se na mobilização em torno de idéias força que simbolizem os sentimentos, aspirações e frustrações da maior parte da população. Fora FHC! pode não ser tal síntese. Se assim for, se esvaziará por si própria, obrigando a busca de outra que cumpra tal papel.

Entretanto, se coincidir com aqueles sentimentos, do mesmo modo que a idéia de impeachment de Collor, surgida da pouco expressiva Convergência, o Fora FHC! pode tornar-se avassalador, independentemente dos argumentos bom-mocistas ou contrários. E isto pode ocorrer logo, ou só chegar a seu ápice nas eleições de 2002. Em qualquer dos casos, o calendário pertence exclusivamente à soberania popular, a única verdadeiramente democrática.   

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