Fogo de barragem

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Fogo de barragem, n. 200, 27 jun. 2000.

 

 

Estamos realmente sob um fogo de barragem. Sem saber direito onde atacar, FHC atira para todos os lados e procura qualquer incidente para ganhar terreno, desorientar a população e golpear a oposição. Até mesmo das conseqüências de suas políticas, como o desemprego e a derrama de dinheiro público na Feira de Hannover, pretende extrair dividendos ao suscitar a redução da jornada de trabalho e inquéritos rigorosos, como se não fossem de sua responsabilidade.

Agora, ele e sua equipe redescobriram a reforma tributária. Nunca quiseram realizá-la, sempre a empurraram com a barriga e, de repente, não mais do que de repente, desengavetam propostas, chamam a oposição para conversar e querem votá-la no segundo semestre deste ano. Ou seja, neste ano da graça de eleições municipais, em que o governo está arriscado a levar uma tunda para Mike Tyson algum botar defeito, FHC quer desorientar a oposição, amarrando-a à pauta do Planalto e imobilizando-a para o confronto de outubro.

Por um lado, FHC e seus partidos coligados continuam defendendo que as eleições devem tratar exclusivamente de temas municipais. Por outro, eles pretendem confinar a oposição a um único tema nacional, cuja relação com os interesses municipais envolve inúmeros conflitos. Para não enredar-se nessa armadilha, talvez a oposição devesse introduzir na pauta a discussão de planos para o desenvolvimento econômico e social, com geração de empregos.

Planos dessa ordem são tão ou mais importantes do que qualquer plano de segurança. Sua discussão tornará inevitavelmente transparente a responsabilidade federal pelo desemprego e pela insegurança, que terminaram com a tranqüilidade até dos menores municípios do país. Mesmo porque quase não existe município desse nosso país que não tenha sofrido alguma das conseqüências perversas das privatizações, do abandono da agricultura, da quebradeira industrial e do escancaramento econômico e financeiro ao capital estrangeiro.

Como tratar do desenvolvimento econômico e social local, sem considerar principalmente as políticas restritivas federais? Como pensar em investir em educação, saúde, moradia e infra-estrutura sem levar em conta a bomba de sucção em que se transformou a fazenda nacional, cuja missão principal consiste em juntar dinheiro para pagar aos credores internacionais? Afinal, o maior tungador dos recursos municipais se chama, hoje, governo federal, agente arrecadador dos bancos e instituições financeiras internacionais.

Não cabe à oposição facilitar as coisas para FHC e seus parceiros. Eles são os responsáveis pelo verdadeiro caos em que nosso país foi atirado. Se não encontram o rumo, cabe à oposição e às mobilizações sociais ajudar que se percam totalmente com seu próprio fogo de barragem.

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