Farsantes

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Farsantes, n. 259, 25 ago. 2001.

 

 

Em nossos recentes comentários, aparentemente saímos da política para tratar de economia. Como dizem os manuais em voga, estímulo às exportações, substituição de importações, imposição de tributos, déficits ou superávits de contas externas e problemas afins fazem parte do domínio exclusivo da economia.

Também em recente audiência no Congresso, o ministro Malan fez furor entre sua claque pelo vigor com que repetiu essa pretensa verdade e por garantir que, apesar dos catastrofistas, os fundamentos da economia brasileira continuavam sólidos e não iriam afundar com a crise de energia. O Brasil manteria seu crescimento e ampliaria as oportunidades de emprego, como a mídia continuava a difundir.

Para azar do candidato preferido de FHC, logo depois tornou-se impossível esconder que o PIB havia desabado e que as previsões de uma brutal contração da economia brasileira tornavam-se uma realidade presente, como previam os catastrofistas. Os tecnocratas do Planalto, por sua vez, mais uma vez declararam-se surpresos, desculpa surrada que já não consegue encobrir o fato de que a trupe FHC/Malan não passa de uma dupla de maus farsantes.

Por um lado, cobram da oposição uma postura construtiva na manutenção dos fundamentos econômicos que consideram inamovíveis, supostamente por serem neutros e beneficiarem ou penalizarem, indistintamente, a todos. Por outro, praticam política o tempo todo, já que política diz respeito ao poder e aos que se beneficiam dele. Utilizam o poder para beneficiar as corporações empresariais estrangeiras e nacionais, em especial o setor delas chamado de sistema financeiro, em detrimento das demais classes e segmentos sociais.

O núcleo de sua farsa consiste justamente em praticar tal política exclusivista de classe e fazer crer aos de baixo que seus resultados econômicos são neutros. Em outras palavras, os problemas econômicos e sociais que atingem o povo brasileiro não seriam conseqüência dos fundamentos econômicos que implantaram, tendo por base o domínio das corporações monopolistas, mas de fatores externos, que vão da crise financeira da Turquia e da Argentina, ao mau humor de São Pedro.

Os que acreditam nisso, submetendo-se à farsa, acham que aumentando as exportações, substituindo as importações, controlando o câmbio, reduzindo os juros e repactuando as relações com o FMI e as multinacionais será possível não só manter a estabilidade monetária, como resolver os problemas sociais. Parecem ignorar que, mantida essa pauta, sem tocar na política de classe de privilegiamento das corporações empresariais capitalistas, as exportações, importações, câmbio, juros e outras políticas econômicas continuarão servindo aos interesses dos mesmos grupos que estão conduzindo nosso país à argentinização.

A oposição popular precisa substituir essa política de classe, no comando atual da economia através da trupe de farsantes no poder, por outra política de classe, que passe a comandar a economia tendo por base o desenvolvimento econômico e social massivo das dezenas de milhões de trabalhadores urbanos, lavradores, excluídos e micro e pequenos empresários. Ou ela faz isso, ou acabará, tragicamente, entrando no rol dos farsantes.

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