Exportar é a solução! É?

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Exportar é a solução! É?, n. 256, 04 ago. 2001.

 

 

Tanto o ministro que saiu, Tápias, quanto o que entrou, Sérgio Amaral, dizem que Exportar é a solução! O anterior não explica por que, apesar de seu empenho, conseguiu resultados pífios. E o segundo promete que, com a desvalorização crescente do real, as chances chegaram. No fundo, parece torcer para que nossa moeda vá ainda mais para o buraco.

A rigor, exportar é uma das soluções para a retomada do crescimento. Em tese, seu aumento pode fazer com que a produção cresça, haja mais ofertas de emprego e, com isso, os brasileiros melhorem seu padrão de vida. Na prática, a história brasileira é cheia de exemplos de políticas de estímulo às exportações que só beneficiaram a alguns poucos setores produtivos e intermediadores e ainda fizeram com que o povão pagasse parte da conta. E essa conversa de que o Brasil não tem vocação exportadora é uma falácia. Nós fomos formados como povo e nação exportando, desde drogas do sertão, açúcar, algodão e café, até ouro e diamantes. O problema é outro.

Vejamos, em termos concretos, o que pode significar hoje uma política de exportações comandada por esse governo alienista. De nossa pauta de produtos exportáveis, excluindo-se os subsidiados aviões da Embraer, praticamente todos os demais são commodities agrícolas, como soja e café em grãos, minerais, como ferro, ou manufaturados e semi-manufaturados de baixo valor agregado, como óleos, carnes bovinas, aves e aço. Cerca de 80% dos produtos exportados estão concentrados em grandes grupos empresariais, os 20% restantes disseminando-se por médias e pequenas empresas. Como em nosso passado histórico, as exportações são monopolizadas por uma minoria.

Nessas condições, o governo se ufana de que temos exportado mais, em volume. Ou seja, os preços dos produtos que exportamos caem no mercado internacional, obrigando-nos a entregar maior quantidade para obter o mesmo valor anterior, ou menos. Depenamos o país para obter os dólares que fazem falta. Um estímulo a essas exportações só eventualmente poderá melhorar a balança comercial, mas certamente significará uma carga ainda maior sobre o que o povão já paga de impostos e taxas. Tão grave quanto isso é o fato de que não contribuirá para modificar nossa matriz produtiva e capacitá-la a exportar produtos de maior valor agregado, que obtenham mais valor com menor volume exportado.

O Brasil precisa, realmente, de uma política de estímulo às exportações, mas a preliminar é ter uma estratégia clara dos segmentos do mercado internacional que vai disputar e onde possamos colocar bens de maior valor agregado, diversificando a produção nacional e a pauta de exportações. Em outras palavras, o estímulo às exportações deve estar casado a uma política agro-industrial e industrial que rompa o monopólio exportador atual e, ao mesmo tempo, estimule o crescimento econômico e amplie o próprio mercado interno. É aí que reside o busílis.

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