Estratégias definidas

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Estratégias definidas; 22 jul. 1998.

 

 

FHC continua empenhado em impor a polarização a Lula. Tendo como eixo o uso da máquina governamental e da mídia, persegue dois objetivos: primeiro, reforçar a ilusão de que, consolidada a estabilização monetária, coloca mãos à obra no cumprimento das promessas dos cinco dedos de 94 e, segundo, “ou eu ou o caos”.

Lula, por seu turno, aparenta querer repetir a estratégia de 89. No entanto, retirando dela a linha de ataque ao governo e às elites e estreitando seu caráter massivo, tudo para não confundir os ataques a FHC com ataques à estabilização e não assustar os setores descontentes das elites.

Assim, um dos pontos nevrálgicos das estratégias dos dois candidatos é a conquista dos setores empresariais insatisfeitos com o governo. É patente que a burguesia brasileira está dividida, porque uma grande parte dela se deu conta de que a política de FHC a está levando à bancarrota. Esta parte está em busca tanto de um projeto alternativo de desenvolvimento econômico, quanto de opções políticas de governo.

FHC só pode imobilizar essa parte das elites na base da chantagem, como fez Vargas, em vários momentos, e Collor, em 89: “comigo ruim, sem mim o caos”. Lula procura neutralizar tal chantagem, mostrando as realizações dos governo petistas, em parceria com os empresários, e apresentando uma imagem de lider que já ultrapassou a necessidade de mobilizar grandes massas e já pode dialogar sem tê-las por trás.

O problema é que FHC opera dentro da lógica das elites e Lula não. Ou seja, as elites descontentes só aderem a quem tem força, perspectiva real de vitória e, complementarmente, apresenta garantias ou promessas de que serão beneficiadas com programas de desenvolvimento.

Assim, se Lula quer realmente o apoio da dividida burguesia, o que é correto, tem que tornar sua campanha, como em 89, combativa, numa linha de ataque direto ao governo e às elites beneficiárias da política de FHC, como os banqueiros estrangeiros, e massiva, criando um amplo e poderoso movimento político-eleitoral de massas populares. Para o que, precisa dizer sem meias palavras, que vai manter a inflação baixa, mas vai mudar a política de quebradeira e desemprego de FHC para uma política efetiva de desenvolvimento econômico, com reforma agrária e recuperação da agricultura, crescimento industrial e comercial e criação de empregos. O que vai muito além das experiências de parcerias dos governos petistas.

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