Enganação continuísta

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Enganação continuísta, n. 250, 23 jun. 2001.

 

 

A crise de energia, acompanhada da rápida deterioração da economia e das condições sociais, está acelerando as definições políticas. A disputa em torno de projetos e da direção do país já vinha se acirrando e, no contexto atual, deve acirrar-se ainda mais.

O bloco que domina o Brasil não pretende mudar, nem deixar que mudem suas políticas. Considera irreversíveis as mudanças conservadoras que impôs ao povo e opera no sentido de que, independentemente de quem vença as eleições em 2002, suas “conquistas” neoliberais sejam mantidas.

A aliança conservadora quer continuar nos dominando, seja através de um candidato próprio, seja pelas mãos de um candidato “oposicionista” do tipo Ciro Gomes que, apesar de paramentar-se com vestes esquerdistas, proclama uma
agenda que não passa de uma cópia disfarçada das políticas aplicadas por FHC e Malan.

O que é sua mistura de equilíbrio fiscal, estabilidade da moeda, respeito aos contratos internacionais e internacionalização da economia, definidas como valor universal, esteio civilizatório e responsabilidade sem submissão ou passividade, senão a mesma receita ditada pelo FMI?

Equilíbrio fiscal e estabilidade monetária, duas necessidades fundamentais, têm sido apenas locuções ilusionistas para encobrir os verdadeiros objetivos de respeitar contratos internacionais injustos e desiguais e permitir a internacionalização subordinada da economia e da sociedade brasileiras. Que equilíbrio fiscal e estabilidade monetária podem subsistir com contratos que arrancam mais de 30 bilhões de dólares anuais só em juros e com uma
internacionalização que desnacionaliza e destrói o parque produtivo nacional?

A agenda que o Brasil precisa é outra. Uma agenda que tenha como pontos principais o desenvolvimento econômico com geração de empregos, a eliminação da miséria, a elevação do poder de compra da população, a ampliação do mercado interno. Uma agenda que passa, necessariamente, pela solução do endividamento externo, por uma reforma agrária massiva e pelo estímulo, também massivo, à produção dos milhões de brasileiros que resistem na economia informal.

Em outras palavras, os brasileiros precisam de uma agenda que, mudando os rumos da economia, cuide de melhorar a vida do povo e crie condições efetivas para um equilíbrio fiscal real e uma verdadeira estabilidade da moeda. O
resto é enganação continuísta.

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