Encruzilhada III

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Encruzilhada III, n. 255, 28 jul. 2001.

 

 

Diante da encruzilhada em que nos encontramos, tudo indica que os donos do poder já possuem um plano B, para a impedir um governo de oposição, além de continuarem propagandeando, como se fossem os únicos viáveis, seus planos de solução da crise.

Esses planos têm dois pontos cruciais. Primeiro, manter a inflação sob controle, não para melhorar o poder de compra do povão, já que a maioria há tempos perdeu esse poder, mas para permitir que as corporações financeiras realizem seus lucros com segurança. Segundo, manter o controle fiscal, também não para melhorar a capacidade de investimento do Estado no social, mas para obter superávits com que pagar em dia os serviços da divida externa.

Tendo como fulcro esses dois pontos – lucratividade das multinacionais e pagamento dos credores internacionais -, o governo faz esforço ingente para levar o povo a acreditar que o controle da inflação e a responsabilidade fiscal são para o bem de todos e uma receita universal a que todos devem submeter-se. Escamoteia o fato de que o controle inflacionário e fiscal, da maneira como é aplicado, para os trabalhadores e camadas médias é igual a quebra do poder aquisitivo, desemprego e garrote fiscal.

O controle da inflação e dos gastos governamentais, para não beneficiar apenas a elite capitalista, deveria ter como pressuposto o crescimento da produção, da renda e do padrão de vida do povo. Não é por acaso que o governo fala em ampliar as exportações, melhorar o saldo comercial, reduzir as importações, implantar os eixos logísticos de integração nacional e vencer a crise energética com novas usinas elétricas, mas nada disso acontece.

O problema consiste em que, ao subordinar tudo aos interesses das corporações empresariais monopolistas, FHC e sua trupe amarram as próprias mãos. O ministro Tápias parece haver se dado conta disso e pediu o boné. E a crise energética é paradigmática. A não ser que o governo aceite a cobrança das tarifas conforme a oscilação do dólar, o que tornará a energia proibitiva para a maioria do povo, as empresas multinacionais não se dispõem a investir em novas usinas.

E, a não ser que o governo faça novos cortes fiscais de 6 bilhões de dólares, o FMI não dará o empréstimo de blindagem para proteger os “fundamentos econômicos” brasileiros do contágio do tango argentino. Desse modo, além de impedir as estatais de investirem em eletricidade, esse novo aperto no garrote fiscal também frustrará a política compensatória eleitoreira de FHC, de bolsas-escola e outras migalhas, com a qual pretendia demonstrar sua preocupação social.

Ao povão só resta procurar um caminho que inverta esses planos dos donos do poder.

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