Empurra que pega

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Empurra que pega, n. 390, 27 mar. 2004.

 

 

A oposição conservadora parece ter adotado o lema “empurra que pega!” em sua ação para desestabilizar o governo. E este parece estar labutando em erro crasso se pensa que havia apaziguado os ânimos, e se julga que foram as palavras do ministro Dirceu que voltaram a acender o fogo da discórdia. É evidente que José Dirceu poderia ter evitado dizer o que disse. Mas o problema reside em que, o que quer que diga, tudo será pretexto para criar motivos e empurrá-lo, na esperança de fazer o motor do afastamento do governo funcionar e colocar na estrada da volta ao poder o caminhão conservador.

Para a oposição, talvez mais do que para vários membros do governo, não há dúvida de que o governo Lula tem prazo para decidir se emplaca uma política real de geração de empregos ou se vai perseverar na política de crescer 3,5%. A oposição sabe que, com a macroeconomia de crescimento de 3,5% em 2004, não haverá criação de empregos, muito menos no volume das expectativas populares. Sabe, portanto, que isso poderá mudar o humor da população diante do governo e levar o eleitorado a dar um recado contra ele nas eleições municipais de outubro.

Podem existir alguns estrategistas supondo que uma derrota do governo nas eleições municipais seja algo menos oneroso do que arriscar-se a uma política de crescimento mais ampla e vigorosa. Talvez pensem que seja possível, com os fundamentos econômicos obtidos, alcançar um crescimento mais vigoroso em 2005 e 2006, e recuperar o terreno perdido, ou não ocupado, garantindo a continuidade da política de centro-esquerda nas eleições parlamentares e majoritárias de 2006.

Apostam no futuro sem medir o que uma derrota governamental em 2004 poderá representar em termos de rearranjo das forças políticas, de mudança na difícil correlação forças e de sustentação da governabilidade. E talvez não estejam se apercebendo da natureza das manobras e jogadas da oposição conservadora. Esta colocou em mente que o ministro Dirceu pode ter um peso fundamental na decisão quanto à política de crescimento efetivo com geração de empregos, e direciona todo o seu fogo para retirá-lo do circuito e desestabilizar, não a Casa Civil, mas o governo como um todo. E empurra o que pode, até mesmo juntando Brizola, Serra e Bornhausen, quem diria?

Se a equipe governamental não for capaz de adotar uma ampla política de geração de empregos imediatamente, é muito provável que o caminhão conservador pegue e cause um estrago considerável no futuro que o governo Lula está tentando plantar.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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