Empresas estatais chinesas em falência

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Empresas estatais chinesas em falência, n. 449, 21 mai. 2005.

 

 

O título acima é um exemplo de como a mídia ocidental trata a realidade chinesa. Ele induz que se acredite que as estatais chinesas finalmente faliram. Na prática, tomam uma verdade parcial e a transformam numa verdade geral.

A verdade parcial é que o governo chinês estima que, nos próximos quatro anos, será decretada a falência ou serão fechadas mais de duas mil empresas estatais, envolvendo a realocação de mais de 3,5 milhões de trabalhadores. Essas estatais vêm apresentando consecutivos prejuízos há anos, e não há expectativa real de que se recuperem e paguem seus débitos. A saída inevitável será a falência ou o fechamento.

Outra verdade parcial é que, nos dez anos anteriores a 2004, o governo chinês fechou ou decretou a falência de outras 3.484 empresas estatais, a um custo de 28 bilhões de dólares, envolvendo o pagamento dos créditos não-pagos e dos direitos trabalhistas de 6,6 milhões de empregados.

Se levarmos em conta que, além disso, a reestruturação das estatais chinesas fez com que o número desse tipo de empresas baixasse de 238 mil, em 1998, para 150 mil, no final de 2003, aparentemente estamos diante de um processo de liquidação das empresas de propriedade estatal na China, como procura fazer crer boa parte da mídia ocidental.

A verdade geral, porém, é que essas 150 mil estatais reestruturadas elevaram seu rendimento, no mesmo período, em 22 vezes, passando a ser lucrativas. 14 delas já estão incluídas entre as 500 maiores corporações mundiais, alcançando elevados níveis de eficiência. O atual grupo, a ter a falência decretada, é o último do processo relativamente longo de reforma e modernização do conjunto das empresas de propriedade estatal da China.

Durante esse processo, muitas dessas empresas foram incorporadas a estatais maiores, ou sofreram processos de fusão com outras de tamanho idêntico. Encerrando o também longo período em que as estatais chinesas atolavam-se em prejuízos, a Comissão de Administração e Supervisão de Ativos Estatais (SASAC), responsável por sua reforma e modernização, terá que colocar-se a missão de acompanhar não mais os prejuízos, porém a melhora na eficiência e na rentabilidade das empresas que são o principal instrumento de política macroeconômica do Estado chinês. Para desespero dos privatistas.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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