Emergência

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Emergência, n. 247, 02 jun. 2001.

 

 

O desabafo hipócrita de FHC, chamando a oposição de fascista, os aliados de representantes do atraso e antigos amigos de traidores é apenas um sinal de que ele, como os moribundos que têm seu momento de lucidez antes do suspiro final, parece haver se dado conta da tragédia em que se meteu.

O ministro Tápias afirmou que o país está em estado de emergência, só faltando o anúncio oficial. O ministro Malan, mais comedido, reconhece um crescimento menor do que 4% em 2001. O PTB desembarcou da aliança governamental, sob o argumento de que o governo FHC acabou. Arruda e ACM renunciaram, este insinuando muito mais sobre FHC e seu governo do que qualquer representante da oposição jamais ousou.

Por qualquer ângulo que se olhe, há incertezas sobre o câmbio, a inflação e a produção. Nenhum homem do governo tem mais coragem em falar dos sólidos fundamentos da economia, enquanto a poderosa base política governamental se esgarça por todas as pontas. E, entre acusar a oposição de fascista e ouvir o clamor contra a medida provisória fascista que liquidava o Código de Defesa do Consumidor e a Constituição, FHC balança sem rumo, mas sem reconhecer que a continuidade de sua política levará nosso país para o abismo.

A crise de energia cada vez mais se parece com o estopim de uma bomba, que ameaça desestruturar de vez o que resta da base produtiva do país. Racionamentos e outros remendos, embora sejam inevitáveis, serão incapazes de impedir a explosão se não forem acompanhados de um plano de emergência efetivo, que inverta toda a política até agora seguida por FHC e sua trupe de financistas, que só tem olhos voltados para Washington.

O Brasil precisa, com urgência, livrar-se da sangria da dívida externa e da sangria das importações promovidas pelas corporações multinacionais aqui instaladas. Precisa investir pesadamente na geração e transmissão de energia, na conservação da água e na construção de núcleos autônomos de financiamento e de geração de tecnologias, voltados fundamentalmente para a multiplicação de empregos e a formação de um mercado interno de massas. O que exige associar uma reforma agrária massiva à transformação, também massiva, do mercado informal ou popular de microempresas num pujante mercado formal produtor de bens e serviços.

Sem um plano de emergência desse tipo, acabaremos tendo que enfrentar a emergência autoritária e fascista dessa gangue que, apesar de tudo, ainda planeja manter-se no poder por muitos anos.

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