Eleições 2000

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Eleições 2000, n. 201, 03 jul. 2000.

 

 

As mobilizações sociais de maio e junho podem não ter sido tão poderosas, nem haver contado com a participação dos segmentos socialmente decisivos, mas apesar disso desorientaram o Planalto e seus partidos de sustentação e demonstraram a irritação, o descontentamento e a insatisfação da maioria da população em relação a Fernando Henrique e aos que o apóiam.

Para esses donos do poder, que pensavam galopar eternamente no tapete voador do mitológico Plano Real, seus atuais índices de impopularidade e rejeição são inexplicáveis, levando-os a movimentos erráticos e ao esforço de aproveitar qualquer pretexto para reconquistar parte do terreno perdido, a exemplo de planos de segurança e reforma tributária fatiada. O problema imediato é saber se isso salvará o governo de uma derrota contundente nas próximas eleições municipais, mais do que nunca uma prévia para a reorganização das forças políticas, com vistas a 2002.

O governo e FHC tornaram-se cabos eleitorais imprestáveis. Sua associação a candidatos do PSDB, PFL, PMDB, PTB e PPB tornou-se um perigo mortal. Não por acaso, há um esforço concentrado desses partidos para municipalizar totalmente as eleições deste ano, evitando qualquer ligação, mesmo remota, aos problemas nacionais. Enquanto nas eleições de 1996 o apoio ao Plano Real e a associação ao governo federal era o mote dos candidatos a prefeito e a vereador daqueles partidos, hoje eles fogem dessa vinculação como o diabo da cruz.

Só por muita incompetência política, porém, a oposição deixará de utilizar essa vinculação como cavalo de batalha. Até porque, pelo centralismo forçado posto em prática por Fernando Henrique, as questões municipais tornaram-se reféns das questões nacionais, sendo impossível desvincular, por exemplo, o desemprego, a insegurança e as dificuldades para o crescimento econômico municipal, das políticas federais. O que não exclui, é certo, o tratamento adequado das peculiaridades locais.

Nesse sentido, as bases políticas de sustentação do governo federal encontram-se desnorteadas. As incertezas quanto ao futuro empurra-as a desvincular-se de FHC. Não têm certeza do que as urnas estão reservando e não são poucos os seus analistas que prevêem, com certa razão, uma reedição do cenário de 1988, que propiciou um considerável crescimento da esquerda no país.

Assim, se por um lado o presidente não consegue definir uma política clara para sair da crise em que afundou o país, municiando sua base, por outro, essa indefinição agrava a situação dessa base, suas chances para 2000 e, portanto, para 2002. Sobra-lhe o fogo de barragem, atirando para todos os lados, na esperança de que o milagre de um projétil perdido confunda os passos da oposição e lhe devolva o poder de iludir a todos o tempo todo. Este é o quadro do momento.

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